O professor e sindicalista Pedro Castillo, de 51 anos, se elegeu novo presidente do Peru pelo partido de esquerda Peru Livre após causar grande surpresa no primeiro turno da votação e vencer por uma margem apertada no segundo turno — em um momento de forte descrença dos eleitores com os políticos tradicionais do país

Castillo foi proclamado o novo presidente do Peru na noite da segunda-feira (19), após mais de 40 dias das eleições. Isso porque Keiko Fujimori, candidata adversária, apresentou recursos. Até a avaliação de todos esses pedidos, concluídos sem que fraudes fossem apontadas, a Justiça peruana não podia oficializar a vitória do candidato de esquerda. A posse deve ocorrer em 28 de julho.

O novo presidente peruano nasceu na pequena cidade andina de Puña, na província de Chota, onde os moradores costumam usar chapéu de aba larga, como Castillo usava em suas viagens e até mesmo no único debate presidencial realizado nesta campanha. Ele foi votar a cavalo na região andina de Cajamarca, onde reside.

O presidente eleito ficou conhecido no cenário nacional em 2017, após liderar uma greve de professores de quase três meses exigindo aumento de salários dos professores. Na campanha, ele prometeu um aumento para professores públicos e “acesso livre às universidades” — tanto que seu símbolo era um lápis.

A votação de Castillo no primeiro turno foi muito forte no interior do país, em províncias pobres e majoritariamente agrárias, o que se está se repetindo no segundo turno. Mas ele sofre grande rejeição na capital Lima e nas maiores cidades do país.

Posições controversas

Castillo chegou a prometer no início da campanha desativar o Tribunal Constitucional e dizia que a Suprema Corte do país defendia a “grande corrupção”. Ele também ameaçou fechar o Congresso se os parlamentares não aceitarem seus planos.

Ao longo da corrida presidencial, no entanto, Castillo mudou de tom e prometeu seguir a Constituição “enquanto ela estiver em vigor”, mas disse que buscará uma nova Assembleia Constituinte caso seja eleito.

Em relação aos costumes, Castillo adota postura mais conservadora: ele se recusa a legalizar o aborto, é contra o “enfoque de gênero” na educação e tem relutado em reconhecer os direitos de minorias sexuais.