A Polícia Federal abriu inquérito nesta quarta-feira para apurar suspeitas de irregularidades envolvendo a compra da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde.

A apuração foi aberta a pedido do Ministério da Justiça, depois que a CPI da Covid levantou indícios de problemas envolvendo a compra do imunizante, o mais caro contratado pelo ministério. A empresa intermediária dessa venda no Brasil, a Precisa Medicamentos, é alvo de outras investigações em andamento.

O inquérito tramitará no Serviço de Inquéritos (Sinq), unidade da PF que investiga políticos com foro privilegiado. Entretanto, até agora não foi definido nenhum político como alvo do inquérito. Caso a PF detecte indícios contra parlamentares ou outras autoridades com foro, o caso deve ser submetido a uma autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).

A PF ainda analisa um pedido feito pelo Palácio do Planalto para investigar o deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) pelo crime de denunciação caluniosa, por ter citado o presidente Jair Bolsonaro em seu depoimento à CPI da Covid. Miranda, que é irmão de um servidor do Ministério da Saúde, disse que levou ao conhecimento de Bolsonaro as irregularidades envolvendo a Covaxin. Isso motivou um pedido de investigação, feito por senadores, acusando o presidente do crime de prevaricação, já que os indícios não foram encaminhados à Polícia Federal na ocasião.

Além disso, a Procuradoria da República no Distrito Federal também instaurou um procedimento investigatório criminal para apurar esse mesmo negócio, que tramitará de forma paralela ao inquérito da PF. Essa investigação criminal foi aberta a pedido da procuradora Luciana Loureiro, que já investigava o caso em um inquérito civil. Ela detectou indícios de crimes e, por isso, pediu o desmembramento da investigação.