A economia brasileira começa a esboçar uma trajetória de recuperação após despencar 4,1% em 2020 em meio à pandemia do coronavírus. É o que indicam os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (dia 1º), que mostram que o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo país) avançou 1,2% no primeiro trimestre de 2021, em comparação com o quarto trimestre do ano passado.

O desempenho superou levemente as expectativas de mercado, que projetava alta de 1%, segundo a mediana das projeções de analistas ouvidos pela Reuters.

Com o resultado do primeiro trimestre, o PIB voltou ao patamar do quarto trimestre de 2019, período pré-pandemia. Em relação ao primeiro trimestre de 2020, o crescimento foi de 1%.

Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, houve taxas positivas na Agropecuária (5,7%), Indústria (0,7%) e Serviços (0,4%). Entre as atividades industriais, o avanço foi puxado pelas Indústrias Extrativas (3,2%).

O resultado do primeiro trimestre pode ser considerado o pontapé inicial para a saída do tombo causado pelo pandemia de Covid-19, que fez o país enfrentar em 2020 a pior recessão econômica em 120 anos.

Ele teve pouco impacto das medidas restritivas para conter a segunda onda de Covid, já que elas foram implementadas na segunda quinzena de março na maior parte das cidades.

Mas os analistas avaliam que o impacto da segunda onda sobre a atividade econômica, a partir de abril, foi menor do que o esperado inicialmente. Não por acaso publicações do boletim Focus, do Banco Central, passaram a apontar números mais otimistas para o crescimento do PIB este ano.

O mais recente, publicado na última segunda-feira, indicou que analistas do mercado esperam crescimento de 3,96% em 2021.

Falta de insumos e crise hídrica

Puxado pelo aquecimento da economia global, o novo ciclo de alta das commodities ajuda a explicar a recuperação da atividade no período, especialmente entre setores exportadores.

Por outro lado, segmentos da indústria não ligados ao mercado internacional já zeraram seus ganhos nas últimas divulgações setoriais do IBGE. E serviços e comércio permanecem abaixo do patamar pré-pandemia.

Problemas como a falta de insumos, o aumento do preço das matérias-primas e o agravamento da pandemia são alguns fatores que dificultam a recuperação mais consistente do PIB brasileiro.

O avanço da vacinação pode acelerar a recuperação da economia. No entanto, o risco de uma terceira onda, em meio ao desemprego recorde, que dificulta o consumo, coloca em dúvida a velocidade de recuperação da atividade nos próximos meses.

Nos últimos dias, a crise hídrica também entrou no radar dos economistas. A escassez de energia deve elevar as tarifas, pressionando o custo de produção e a inflação.