A Polícia Civil iniciou na manhã desta quinta-feira (29) uma operação para cumprir 36 mandados de prisão temporária e 40 ordens de busca e apreensão em cidades do Tocantins, Goiás, Mato Grosso do Sul, Goiás e Bahia. A ação busca desarticular uma facção criminosa envolvida com diversos crimes e foi chamada de Nêmesis.

Segundo a polícia, a investigação começou depois que um delegado teve o carro pichado com o símbolo da facção criminosa em uma cidade no interior do Tocantins. A operação é coordenada pela 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Deic – Paraíso do Tocantins).

Os mandados estão sendo cumpridos em Palmas, Araguaína, Paraíso do Tocantins, Divinópolis, Pium, Cristalândia, Porto Nacional, Miranorte, Lagoa da Confusão, Araguaína, Marianópolis e Tocantinópolis, como também em Jaraguá (GO), Campo Grande (MS), Barreiras-BA e Barueri (SP). A ação também aconteceu nas unidades prisionais de Palmas, Paraíso, Cristalândia, Tocantinópolis, Gurupi e Guaraí.

Até às 7h30 da manhã, 18 pessoas tinham sido presas.

O delegado-chefe da 6ª Deic, Hismael Athos, afirmou que durante as investigações foi identificado um forte esquema de tráfico de entorpecentes, associação para o tráfico e posse de armas de fogo.

Segundo a polícia, os membros desta facção têm a obrigação de financiar a organização mensalmente com certa quantia em dinheiro que variava de acordo com o estado da federação. O grupo também tem um complexo sistema de organização que julga, pune e executa integrantes de facções como forma de serem promovidos.

O assassinato de grupos rivais também é utilizado para obter domínio territorial das cidades no interior do Tocantins e controlar outros crimes como assaltos, homicídio e venda de drogas.

“A organização possui inclusive Estatuto pelo qual integrantes juram fidelidade, uma das cláusulas é a contribuição financeira dos que estão em liberdade para com os que estão presos. Às exigências incluem ainda ajuda aos familiares, ação de resgate e pune com morte aquele que não contribuir com os demais”, disse o delegado.

Durante a investigação a polícia descobriu o caso de um adolescente de 16 anos teria sido executado na cidade de Cristalândia devido à rivalidade entre as facções. “O objetivo da facção é o total domínio do território para então realizar o comércio ilícito de drogas, em contrapartida, não aceitam que outros infratores roubem moradores sob pena de serem julgados com advertência e até mesmo a morte caso descumpram as regras criminosas”, afirmou.

A operação

A operação recebeu o nome de Nêmesis em referência a deusa grega da vingança e da justiça equitativa. Mais de 100 policiais civis participam da Operação coordenada pela 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Deic – Paraíso do Tocantins).

A operação conta com apoio de todas as Divisões Especializadas de Repressão ao Crime Organizado vinculadas à Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), do Grupo de Operações Táticas Especiais (GOTE) e do Sistema Prisional da Secretaria de Cidadania e Justiça do Tocantins (Seciju).

Por  G1 Tocantins.