A Polícia Civil do Rio sugeriu ao Ministério Público o arquivamento do inquérito que apurava a morte de Neilton José Veiga Junior, o Tom Veiga, intérprete do Louro José, na manhã do dia 1º de novembro do ano passado, na casa em que morava, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. A conclusão das investigações apontam para a ausência de “elementos informativos” para indicar que o artista foi vítima de alguma causa violenta – segundo o laudo do Instituto Médico Legal (IML), ele sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico.

O relatório final do inquérito, assinado pelo delegado-adjunto da 16ª DP (Barra da Tijuca) Paulo Roberto Mendes Junior e ao qual O GLOBO teve acesso, aponta que foram “esgotadas todas as diligências possíveis, sem existirem outros indivíduos a serem intimados para depor, ou qualquer outro trabalho de Polícia Judiciária que pudesse, pelo menos em tese, trazer algum subsídio de relevância à apuração da presente investigação”.

O procedimento foi aberto após policiais militares do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) serem acionados por amigos de Tom Veiga, que encontraram o corpo do intérprete na cama, sem sinais aparentes de violência. Na delegacia, Jorge Luiz Duarte Maia da Silva relatou que, pela dificuldade em conseguir contato com o artista, pulou o muro da casa dele. O ator André Marques, que também esteve no local, corroborou as informações.

Durante as investigações, familiares de Tom chegaram a relatar conflitos, mas, nas palavras do delegado, nada de “relevante interesse criminalístico” que “demandasse” diligências. Nos depoimentos, todos citaram a ingestão excessiva de bebida alcoólica e cigarro pela vítima.


O representante legal da empresa contratada para a instalação do sistema de monitoramento por câmeras na residência negou ter percebido qualquer anormalidade em contato pessoal com o artista dias antes de seu falecimento, bem como informou não ter concluído a instalação do equipamento por problemas técnicos, o que, consequentemente, impossibilitou o armazenamento de imagens.

O laudo feito por profissionais do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) na residência também descarta evidências de violência: “Ante o exposto, de acordo com os exames técnicos, conclui o perito criminal ter ocorrido, no local objeto de exame, uma morte sem sinais de violência, ficando para provas testemunhais, investigação policial e laudo cadavérico a elucidação em definitivo do fato”, diz o documento.

Já o documento do IML atesta que Tom Veiga sofreu “hemorragia intracraniana, subaracnoide, rotura de aneurisma cerebral” por “evolução de doença”. O acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico é aquele que ocorre quando um vaso – artéria ou veia – rompe no cérebro, extravasando sangue, sendo o mais frequente causado devido a um pico elevado de pressão arterial.