O primeiro-ministro francês, Jean Castex, disse que quarentenas parciais não estão descartadas para controlar a segunda onda da epidemia da Covid-19. De acordo com ele, a crise sanitária “ainda vai durar vários meses”. Um novo Conselho de Defesa está previsto nesta semana.

Em entrevista à rádio France Info, o premiê disse que “a quarentena generalizada deve ser evitada de todas as maneiras”. As consequências de tal decisão seriam “absolutamente dramáticas”, lembrou. Em relação a isolamentos locais, Castex disse que nada deve ser excluído diante da grave situação nos hospitais.

Uma dezena de metrópoles francesas estão, desde o fim do mês de setembro, em zona de alerta máximo. Entre elas Paris, Lyon, Toulouse e Montpellier, que adotaram várias medidas restritivas, como o fechamento de bares e um protocolo sanitário reforçado nos restaurantes, além de fechamento de piscinas, academias e outros estabelecimentos.

Uma cidade em “área de alerta máximo” deve ter uma taxa de incidência do vírus maior do que 250 casos por 100 mil habitantes durante uma semana ou de 100 para maiores de 65 anos. O limite para que a epidemia esteja relativamente sob controle é de 50 diagnósticos positivos por 100 mil habitantes. Outro critério é a taxa ocupação dos leitos nas unidades de terapia intensiva, que não deve ultrapassar os 30%.

Até agora, as medidas do governo francês não influenciaram o avanço da epidemia. Na semana passada, a França registrou 115 mil casos confirmados – 27 mil apenas no sábado (10), o que representou um novo recorde. “Estamos em uma situação muito difícil”, disse Castex.

“A segunda onda está aí e pedimos a todos, de maneira clara, que se mobilizem para enfrentar a situação”, disse o primeiro-ministro.

Ele pediu aos franceses que não “relaxem”, no respeito às medidas de proteção, contrariamente ao que foi observado durante o verão.

Novo Conselho de Defesa

Nesta semana, o governo organizará um novo Conselho de Defesa e de Segurança Nacional. “Vamos analisar os dados epidemiológicos para ver se é necessário ir mais longe”, anunciou o chefe de governo francês.

Paralelamente, o presidente francês, Emmanuel Macron, deve conceder uma entrevista aos canais de TV France 2 e TF1 nesta quarta-feira (13) à noite, ao vivo do Palácio do Eliseu.

“Se dentro de 15 dias observarmos que os indicadores sanitários estão piorando, e que a taxa de ocupação dos leitos nas unidades de terapia intensiva está aumentando mais do que o previsto, poderemos tomar medidas extras”, declarou Castex, preparando os franceses para uma possível adoção de medidas mais restritivas.

O primeiro-ministro também antecipou que uma nova versão do aplicativo StopCovid será lançada em 22 de outubro. Desde junho, a ferramenta já foi baixada cerca de 2,6 milhões de vezes. A ideia é rastrear a rede de contatos de um caso positivo, testar e isolar possíveis contaminados, para conter a propagação do vírus.

O próprio premiê reconheceu que não havia baixado a primeira versão, causando polêmica. Sobre sua popularidade, o premiê, que acaba de completar 100 dias de governo, disse que o que o interessa neste momento “é a saúde, o emprego e a segurança dos franceses.”