Mesmo sem a possibilidade de saques do novo auxílio emergencial, trabalhadores formaram filas em frente a agências da Caixa Econômica Federal (CEF) desde o início da manhã, em todo o país, no primeiro dia de pagamento para nascidos em janeiro. O movimento não surpreendeu o presidente do banco, Pedro Guimarães. Segundo ele, as filas formadas em frente a agências do banco pelo país foram motivadas por pessoas que tentam desbloquear o aplicativo Caixa Tem, único meio atual de utilização do pagamento da nova rodada.

Pedro Guimarães afirmou que, além de beneficiários que tentavam desbloquear o acesso ao aplicativo, também procuraram atendimento pessoas que não seriam contempladas com o pagamento nesta terça-feira, mas buscaram o banco para tirar dúvidas sobre o saque. O benefício começou a ser depositado hoje para pagamento de contas e boletos através do aplicativo, mas só pode ser sacado a partir de 4 de maio. Na terça-feira, o depósito foi feito para 2,3 milhões de pessoas.

— Há pessoas indo (às agências) para verificar se seus aplicativos estão normalizados ou não. Mesmo os que não nasceram em janeiro já estão indo às agências da Caixa desde segunda-feira. Lembrando que aqueles para os quais os aplicativos apresentam algum tipo de fraude vão mesmo até as agências, apresentarem documentos como a carteira de identidade ou motorista e provarem quem são — explicou Guimarães.

Banco promete reforço de atendimento

Guimarães ressaltou ainda que o volume de atendimento digital é grande desde 2 de abril, mas a procura presencial é normal neste período, e por isso houve reforço no quadro de pessoal das unidades.

Segundo ele, para reforço na estrutura de atendimento em 2021, houve já 7.704 novas contratações de empregados, seguranças, recepcionistas e estagiários. E uma parte deles já está trabalhando nas unidades, principalmente seguranças e recepcionistas.

— Neste primeiro ciclo do auxílio nós sempre estamos ajustando questões. É normal algum tipo de ida a agências para ajuste do cadastro dos que estão bloqueados — avalia o presidente do banco.

O presidente da Caixa também comentou sobre o prazo de quatro semanas para a liberação de saques em dinheiro do novo auxílio. O prazo tem gerado reclamações entre os beneficiários do auxílio emergencial. Segundo Guimarães, a estratégia ainda pode ser revista, mas o banco espera que a medida faça com que praticamente a totalidade da ajuda financeira seja utilizada antes do início dos saques.

— Este primeiro mês é para que a gente faça os testes, e como fizemos no ano passado, se houver algum tipo de sensibilidade para que a gente possa alterar, a gente vai discutir — afirmou.

A procura pelo atendimento virtual também foi intensa e em alguns momentos do dia causou lentidão no acesso ao aplicativo. Desde o dia 2 de abril, segundo a Caixa, houve 1,4 milhão de downloads do aplicativo Auxílio Emergencial, no qual é possível checar se receberá o benefício; 2 milhões de downloads do Caixa Tem; 8,3 milhões de ligações para a Central 111, que tira dúvidas dos trabalhadores; e 836,9 milhões visitas ao site auxilio.caixa.gov.br.

Mudanças na concessão de benefícios

Pedro Guimarães observou ainda que os trabalhadores têm procurado as agências com dúvidas sobre os critérios de concessão do auxílio do auxílio emergencial em 2021. Ele ressaltou que as são duas principais mudanças que aconteceram para a nova rodada foram a redução de dois para um beneficiário por família.

Além disso os beneficiários passaram a ter que atender os dois critérios de renda estabelecidos, e não apenas um, como no ano passado. Ou seja, a renda familiar mensal per capita precisa ser de até meio salário-mínimo e a renda familiar mensal total, de até três salários mínimos.