A presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, pediu um “boicote diplomático” aos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim em 2022, devido às violações dos direitos humanos cometidas pela China.

“Não podemos proceder como se não houvesse nada errado em os Jogos irem para a China”, declarou Pelosi durante audiência conjunta da Comissão de Direitos Humanos Tom Lantos e a Comissão Executiva do Congresso sobre a China.

A Olimpíada de Inverno será organizada entre 4 e 20 de fevereiro do ano que vem. A única vez que os EUA boicotaram os Jogos Olímpicos foi em 1980, na edição de Moscou. Naquele ano, nenhum atleta americano viajou à União Soviética para competir. Pelosi não deixou claro o que seria um “boicote diplomático”, opção que foi rechaçada pelo Comitê Olímpico dos EUA.

“Lamentavelmente, estamos aqui porque a China segue aniquilando todos os dissidentes políticos, assinalou a democrata, acrescentando que os Estados Unidos têm a obrigação de “denunciar as violações dos direitos humanos na China”, disse Pelosi.

“Façamos um boicote diplomático se, de fato, esses Jogos forem realizados. Não sei se é possível, porque não conseguimos no passado.”

“Não honremos o governo chinês fazendo com que chefes de Estado vão à China. Que isso aconteça à luz de um genocídio que está em andamento enquanto os senhores estão sentados aí em suas cadeiras realmente traz a pergunta: “Que autoridade moral os senhores têm para falar sobre direitos humanos em qualquer parte do planeta?”, criticou a democrata.

A audiência conjunta também ouviu ativistas que condenaram o tratamento dispensado pela China à sua minoria uigur e a repressão política em Hong Kong. “Ser anfitrião dos Jogos se tornou a solução comprovada para que regimes autoritários encubram seus crimes, melhorem sua imagem em nível internacional e fortaleçam suas alianças”, disse Samuel Chu, diretor gerente do Conselho da Democracia de Hong Kong, grupo com sede nos Estados Unidos.

Comitê Olímpico dos EUA rechaça boicote

Em carta dirigida aos membros do Congresso, Sarah Hirshland, diretora geral do Comitê Olímpico dos Estados Unidos, mostrou ser contra o boicote e afirmou que os Jogos são especialmente importantes após a pandemia.

“Milhares de atletas de todo o mundo diante das chamas olímpica e paralímpica marcarão a saída do mundo dos problemas do ano anterior. Nós também estamos preocupados com a situação na China, mas um boicote dos atletas aos Jogos não é a solução para os problemas geopolíticos”, afirmou.

A China condenou os chamados por um boicote, alegando que os mesmos politizam o esporte. A Casa Branca se absteve de apoiar a iniciativa.