O presidente da Colômbia, Iván Duque, condenou as eleições da Venezuela previstas para dezembro, boicotadas pela oposição ao regime chavista. Segundo o colombiano, o processo eleitoral “busca legitimar a ditadura de Nicolás Maduro”.

“Necessitamos fazer um chamado enérgico a todas as nações do mundo para que elevem suas vozes pedindo eleições verdadeiramente livres, e não à orquestra eleitoral pré-fabricada à qual se quer entregar ao povo venezuelano neste mês de dezembro, unicamente para perpetuar a ditadura”, disse Duque.

O colombiano também acusou o regime de Maduro de “se sustentar com recursos do narcotráfico” e de “abrigar terroristas”. “É uma ameaça constante para as democracias da região e do mundo”, atacou Duque.

As declarações foram dadas em vídeo enviado aos debates da Assembleia Geral das Nações Unidas, iniciados nesta terça e que ocorre virtualmente por causa da pandemia do novo coronavírus. O presidente Jair Bolsonaro abriu a sessão.

A Venezuela passará por eleições legislativas em 6 de dezembro. As principais organizações de oposição anunciaram um boicote contra as eleições parlamentares, as quais tacham de “fraude”, depois que o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), de orientação governista, nomeou uma diretora do CNE em 12 de junho e declarou a omissão do Legislativo.

Em resposta às declarações de Iván Duque, o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, disse que o colombiano cometeu “demasiada hipocrisia”. “Ele se apresenta como um herói da paz, dos Direitos Humanos e da luta contra o narcotráfico”, escreveu o ministro nas redes sociais.

“A Comunidade Internacional não é estúpida, senhor Duque. Você está diante do mundo como um mentiroso incomparável”, afirmou Arreaza. A mensagem foi compartilhada por Maduro.

O discurso de Nicolás Maduro na Assembleia Geral das Nações Unidas está previsto para a tarde desta quarta-feira (23).