O presidente da Itália, Sergio Mattarella, disse que quer indicar um novo governo esperando receber um apoio amplo no Parlamento, depois que negociações com o objetivo de ressuscitar a coalizão anterior fracassaram.

Mattarella, o árbitro supremo da política italiana, afirmou que não gostaria de convocar eleições antecipadas, argumentando que o país precisa de um governo forte para lidar com a pandemia do coronavírus e para elaborar planos de recuperação para a economia.

Como resultado, o presidente disse que quer um governo de “alto perfil” para assumir o poder, de maneira que seja possível conseguir apoio além das divisões partidárias para lidar com a atual emergência sanitária. Tal governo seria quase certamente liderado por um tecnocrata.

Mattarella convocou o economista Mario Draghi para uma reunião na quarta-feira. Segundo a imprensa italiana, ele, que é ex-presidente do Banco Central Europeu, deverá receber do presidente o pedido para que tente formar um novo governo para a Itália.

No poder desde 2018, o primeiro-ministro Giuseppe Conte entregou pedido de renúncia ao presidente do país há uma semana. O político já havia sinalizado que deixaria o cargo após perder a maioria no Senado.

Isso porque o partido de centro Itália Viva, liderado pelo ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, deixou a coalizão por discordâncias pela maneira como o governo lidou com a crise do coronavírus e a recessão econômica. Uma das principais reclamações de Renzi é que Conte tomou decisões sobre a pandemia sem passar pelo Parlamento, com base em relatórios de técnicos que não foram eleitos.

Se Giuseppe Conte não conseguir compor uma nova maioria parlamentar, os italianos terão de ir às urnas em meio à pandemia

Não foi a primeira vez que Conte renunciou. Em 2019, ele perdeu a maioria do Congresso depois que a Liga, um partido da extrema-direita que formava a coalizão de governo, apresentou uma moção de desconfiança.

Ele foi reconduzido ao poder nove dias depois, ao conseguir formar uma coalizão que incluía os partidos rivais Movimento 5 Estrelas (M5E) e Partido Democrata (PD), de centro-esquerda. Assim, evitou-se a convocação de novas eleições naquele ano.