Cerca de 50 mil pessoas se reuniram no centro de Praga em protesto para exigir a renúncia do primeiro-ministro da República Tcheca, Andrej Babis. Ele é acusado de fraudar subsídios da União Europeia, e a reabertura na semana passada de um inquérito que estava paralisado desde setembro voltou a mobilizar os manifestantes tchecos.

Os protestos em Praga desta terça, portanto, são a retomada de um movimento que levou outras dezenas de milhares de pessoas às ruas da capital neste ano. É a maior onda de manifestações na República Tcheca desde a queda do comunismo no país, em 1989. Há novos atos marcados para a próxima semana.

“Este cara tem a pele grossa; é certo que as pessoas vão comprar suas mentiras, mas não é a pessoa que deve me representar”, disse à agência France Press o aposentado Josef Smycka, um dos manifestantes.

Considerado pela Forbes como a quarta fortuna da República Tcheca, Babis é acusado de utilizar subsídios europeus para pequenas empresas para construir um complexo hoteleiro e agrícola nos arredores de Praga.

Por isso, além das bandeiras em branco, vermelho e azul da República Tcheca, os manifestantes ergueram o símbolo da União Europeia para demonstrar apoio ao bloco — que participou de parte do inquérito contra Babis.

Na semana passada, a imprensa tcheca publicou trechos de uma auditoria solicitada pela Comissão Europeia que aponta conflito de interesses de Babis. O primeiro-ministro se defende, e afirma que entregou sua empresa holding Agrofert a dois fundos fiduciários, como prevê a lei tcheca.

Minuto de silêncio

Os manifestantes observaram um minuto de silêncio para homenagear os mortos em um ataque com tiros a um hospital no campus da Universidade de Ostrava, no leste da República Tcheca. Seis pessoas morreram, além do assassino.