O presidente da Rússia, Vladimir Putin que está pronto para enviar policiais russos a Belarus para conter os protestos que pedem a queda de Alexander Lukashenko, reeleito em votação cercada de acusações de fraude.

Em entrevista à televisão estatal russa, Putin disse que Lukashenko lhe pediu ajuda. Entretanto, os dois concordaram que “não havia necessidade naquele momento”.

“Concordamos em não convocar essa força até que a situação comece a sair do controle e elementos extremistas que agem sob a cobertura de slogans políticos cruzem certas fronteiras e se engajem em banditismo, queimando carros, casas, bancos ou invadindo prédios públicos”, disse Putin.

A mensagem é considerada um recado claro à União Europeia e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que condenam o processo eleitoral que deu vitória a Lukashenko — no poder há 26 anos. Belarus faz fronteira com países que compõem os dois blocos, inclusive duas ex-repúblicas soviéticas do Báltico: Lituânia e Letônia.

A Rússia vê Belarus como um território crucial contra a expansão do Ocidente e como um ponto de passagem importante para as exportações russas, especialmente no setor energético.

Os dois países têm acordos que garantem laços políticos econômicos e militares fortes, e Lukashenko se apoia na compra de energia barata do país vizinho e outros subsídios para manter a economia, que ainda segue parâmetros dos tempos de União Soviética.

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No entanto, a relação entre os dois países se deteriorou após desentendimentos sobre a abertura dos bielorrussos ao ocidente. Belarus, inclusive, prendeu 32 militares russos acusados de planejarem protestos. A Rússia, porém, preferiu atribuir a piora na relação a provocações de “agentes espiões” da Ucrânia e dos Estados Unidos.

Novos confrontos

Outra  jornada  de protestos contra Lukashenko. Segundo a agência Associated Press, policiais responderam com violência aos manifestantes que ocupavam a principal praça de Minsk, capital de Belarus.

Também de acordo com a AP, a polícia deteve jornalistas — inclusive da própria agência.

A onda de protestos começou há três semanas, quando Lukashenko se proclamou vitorioso com 80% dos votos em eleições cercadas de denúncias de fraude. Manifestantes pedem novo pleito e apoiam a oposicionista, Svetlana Tikhanovskaya, que precisou se refugiar na Lituânia por temor de perseguição.

Os indícios de fraude e a repressão violenta aos manifestantes gerou reações da União Europeia, que impôs sanções e se colocou ao lado dos oposicionistas — ato que irritou Putin, na vizinha Rússia.