O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse  durante sessão da Comissão Temporária da Covid-19 do Senado, que a campanha de vacinação tem “acelerado o seu ritmo”.

“Se nós respeitássemos o Programa Nacional de Imunização conforme pactuado na [administração] tripartite, ele iria melhor”, disse o ministro da Saúde.

 “É até um apelo que eu faço. Nós sabemos que no afã de contribuir com a vacinação, às vezes se pressiona para botar um grupo prioritário ou outro, que todos têm razão (…) Mas às vezes isso atrapalha o nosso PNI (Plano Nacional de Imunização)”. O ministro citou a aplicação de 1,8 milhão de doses na última 6ª feira (23.abr).

Queiroga criticou abertamente governadores e prefeitos pelo suposto atraso na aplicação de doses de vacinas. “Tudo o que nós não precisamos neste momento é polêmica” e que é necessário “passar uma mensagem harmônica a sociedade”.

“A aplicação da 2ª dose tem sido impedida por governadores e prefeitos e agora, em face do retardo de insumo vindo da China ao Instituto Butantan, há uma dificuldade na aplicação desta dose”, continuou. Disse ainda que o ministério publicará uma nota técnica sobre o atraso na aplicação da 2ª dose da CoronaVac, vacina produzida pelo Instituto Butantan.

Afirmou que pediu para sua equipe de comunicação mudar a forma de divulgação dos números de doses de vacina distribuídas e aplicadas para não causar “tanto calor” sobre a questão.

O ministro também disse que boa parte da diferença entre doses aplicadas e distribuídas se deve à reserva para a 2ª dose e ao atraso para computar a aplicação de doses. Afirmou aos senadores que em breve anunciará uma nova remessa de remédios do “kit intubação”.

“O Ministério da Saúde abriu um pregão nacional e internacional sem fixação de preço. E estamos negociando com a Opas [Organização Pan-Americana da Saúde]. E a curto prazo nós vamos anunciar também uma remessa desses insumos vindos dos Estados Unidos”, disse Queiroga.

Os senadores também questionaram o ministro sobre as mudanças no cronograma para recebimento de vacinas para uso na campanha de imunização. O ministro disse que as metas de vacinação não foram reduzidas e que a mudança nas previsões da pasta se deve à retirada das vacinas que ainda não têm aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), casos da Covaxin e da Sputnik V.

“Havia uma previsão de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, que não obteve o registro da Anvisa ainda. E nós retiramos, porque fica criando uma falsa expectativa na população brasileira. Se a vacina for autorizada pela Anvisa, nós vamos novamente colocá-la no calendário e, por óbvio, a vacinação vai caminhar mais célere”, disse o ministro.

Queiroga disse que o 1º lote da vacina contra a covid-19 da Pfizer deve chegar ao Brasil na 5ª feira (29.abr). “Temos trabalhado fortemente para conseguir mais doses. Chegará o 1º lote da vacina da Pfizer no dia 29, no aeroporto de Viracopos [Campinas (SP)]. São doses prontas e o Ministério da Saúde já organizou a logística para essa vacina, que tem a peculiaridade em relação à cadeia de frio. Temos capacidade para aplicar a vacina da Pfizer com bastante segurança”.

Queiroga culpou a imprensa pela resistência de parte da população a tomar a vacina da AstraZeneca. Disse que a mídia “mais desinforma do que informa” e que, por isso, as pessoas têm rejeitado o imunizante.