Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), chegou ao Ministério Público Federal (MPF) do Rio às 14h20m desta quinta-feira para ser ouvido na investigação sobre suspeita de vazamento da operação Furna da Onça. A ação foi deflagrada em 2018 e prendeu sete deputados estaduais. Embora não fosse alvo, um relatório sobre as movimentações suspeitas de Queiroz e assessores de outros deputados constava entre os documentos a que os procuradores tiveram acesso.

Queiroz depôs pela primeira vez sobre o caso, em junho, e disse desconhecer o vazamento. Nathália, filha do ex-assessor, também deve ser ouvida. A investigação é do coordenador do Controle Externo da Atividade Policial do MPF no Rio, Eduardo Benones, e foi aberta em maio para apurar denúncia de que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) foi avisado com antecedência da ação.

O senador e o ex-assessor dele não são investigados, uma vez que o procedimento apura, até agora, eventual crime de um ou mais servidores públicos que podem ter repassado informações sobre a operação da Polícia Federal. O senador já foi ouvido pelos investigadores e negou ter recebido informações vazadas sobre a operação.

Em maio, o empresário Paulo Marinho concedeu entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo” na qual afirmou ter ouvido de Flávio, em dezembro de 2018, um relato de que a operação foi comunicada com antecedência a membros da equipe do parlamentar por um delegado da PF. Marinho é suplente de Flávio no Senado. Segundo ele, o parlamentar o procurou em busca da indicação de um advogado criminalista que pudesse defendê-lo na investigação que apura se havia um esquema de “rachadinha” em seu gabinete enquanto foi deputado estadual.

No encontro, segundo o empresário, o senador disse que um outro assessor (Miguel Braga) havia sido procurado na semana seguinte ao primeiro turno por um delegado da PF. Eles então combinaram de se reunir na porta da Superintendência da PF no Rio. Na ocasião, o delegado teria avisado sobre a Operação Furna da Onça, afirmado que a investigação atingiria assessores de Flávio e dito que iria “segurar” a deflagração da operação, para não prejudicar a campanha de Bolsonaro à Presidência.