“Essa falsa impressão de que a bebida é mais saudável por não ter açúcar pode elevar ainda mais seu consumo, impactando na saúde. Quando ocorre a eliminação do açúcar, tanto no light como no zero açúcar, são usados aditivos para melhorar o paladar e essas substâncias também são prejudiciais”, explica Melissa Sofia Gomez, nutricionista e mestre em Saúde Coletiva pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

E as calorias?

Do ponto de vista calórico, o zero açúcar realmente oferece um número menor de calorias se comparado ao refrigerante normal —muitos deles não apresentam caloria alguma.

No entanto, não há nenhum benefício nutricional, até porque refrigerantes não costumam trazer em sua composição nutrientes como proteínas, vitaminas, minerais ou fibras, ou seja, assim como o refri normal, o zero é um alimento “vazio” nutricionalmente.

Além disso, existem teorias, que usam como base estudos com animais e in vitro, que mostram que os adoçantes, mesmo não possuindo calorias, induzem o corpo a produzir insulina, como explica Clarissa Hiwatashi Fujiwara, nutricionista do Departamento de Nutrição da Abeso (Associação Brasileira de Estudos sobre a Obesidade e Síndrome Metabólica). Esse hormônio poderia aumentar a captação de glicose pelos tecidos e também favorecer o acúmulo de gordura, como o açucarado faria.

“Outra teoria é que o adoçante estimularia o corpo a acreditar que energia seria fornecida por aquele alimento, o que não acontece. Então, de forma compensatória, o organismo aumentaria o apetite —mas isso só foi demonstrado em estudos com camundongos”, pondera a nutricionista.

 Qual a diferença entre os tipos light, diet e zero açúcar?

Os refrigerantes lights vão ter uma redução de 25% dos componentes seja no açúcar, caloria ou até gordura. Já o zero açúcar ou diet podem ser sinônimos e não possuem nenhum nutriente e também são livres de açúcar.

Mas vale o alerta para evitar o consumo exagerado dessas bebidas, já que elas podem ser altamente perigosas para a saúde. “É inegável que todas vão ter um alto teor de aditivos, corantes, aromatizantes. Independentemente de serem dessas categorias zero açúcar, o indicado é consumir o mínimo possível e nunca substituir a água por eles”, ressalta Fujiwara.

E os refrigerantes com sabor de frutas?

Existem algumas bebidas com sabores como laranja, uva e limão e que por isso possuem suco natural delas em seus ingredientes. Mas não se deixe enganar: trazem uma parcela bem pequena de alguma fruta (normalmente pouco mais de 5% da bebida). “Não podemos dizer que um é melhor que o outro. Tanto porque, os com fruta não são indicados e outros possuem corantes e outros aditivos também”, afirma Mariana Ferrari, nutricionista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Além disso, eles seguem sendo vazios em nutrientes, às vezes contando apenas com a presença de vitamina C na composição —e vale mais a pena conquistá-la consumindo alimentos com melhor composição nutricional, como as próprias frutas in natura. A especialista explica ainda que não recomenda o consumo da bebida de qualquer modo e, caso a pessoa queira consumir, deve fazer isso apenas socialmente e reduzir a ingestão no dia a dia ao máximo possível.