Em entrevista à CNN Brasil, a secretaria Especial de Cultura, Regina Duarte, deu declarações minimizando a censura e a tortura durante a ditadura, relativizou o impacto do coronavírus e minimizou seu papel ao mencionar mortes de artistas durante a pandemia. Além disso, encerrou a entrevista em meio a um bate-boca: ela ficou irritada quando jornalistas da emissora pediram que ouvisse e comentasse um vídeo enviado à produção pela também atriz Maitê Proença.

“Não estava combinado nada disso”, disse ela, irritada, após a divulgação do vídeo enviado por Maitê.

Em seguida, Regina completou: “Vocês estão desenterrando esse vídeo para quê? O que vocês ganham com isso?”.

Questionada sobre a falta de manifestação do governo sobre as mortes de Aldir Blanc, Rubem Fonseca, Garcia-Roza, Moraes Moreira e Flávio Migliaccio, a secretária respondeu:

— Eu imaginei assim: será que eu vou ter que virar um obituário?

Quando foi perguntada sobre participar de um governo cujo presidente afirma serem heróis alguns dos envolvidos em casos de prisão e tortura na ditadura militar brasileira, ela disse: “A humanidade nunca para de morrer”, comentou e, a seguir, citou crimes de Stálin e Hitler. “Se ficar cobrando coisas que aconteceram nos anos 60, 70, 80, a gente não vai para a frente”, disse, emendando com uma cantoria da música “Para frente, Brasil”.

“Não era gostoso cantar isso?”, questionou ela para o jornalista Daniel Adjuto .

Ele então disse que houve muitas mortes durante o regime que governou o país entre 1964 e 1985. Regina respondeu:

“Se você falar vida, do lado tem a morte. Sempre houve tortura, censura. Sou leve, estou viva. Estamos vivo, vamos ficar vivos”.

Na quarta-feira, Regina Duarte almoçou e participou de uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro em Brasília e, segundo fontes próximas, o encontro foi “ótimo” e teve um desfecho positivo. O encontro contou ainda com a presença do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, a quem a Secretaria está subordinada.

O encontro entre Regina Duarte e Bolsonaro era considerado decisivo para a permanência da atriz na Secretaria, uma vez que acontecimentos da véspera e dos últimos dois meses transformaram em incógnita a sua autoridade. No comando da pasta desde o dia 4 de março, a atriz amanheceu na terça-feira com a notícia de que Dante Mantovani — presidente da Funarte na gestão de seu antecessor Roberto Alvim —, que foi demitido por ela, havia sido reconduzido ao cargo. À sua revelia.

Reclusa em São Paulo desde que começou a recomendação de isolamento social por conta da epidemia de coronavírus, Regina demonstrou surpresa a aliados quando soube da publicação no Diário Oficial, assinada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Braga Netto.