Com a volta ao trabalho do primeiro-ministro Boris Johnson prevista para esta segunda-feira (27), o governo britânico adia revelar seus planos sobre a sequência do confinamento adotado no país há mais um mês.

A   pressão continua  grande por novas diretrizes sobre o combate à pandemia de Covid-19.

Desde que teve alta do hospital, no dia 12 de abril, o chefe do governo conservador, de 55 anos, se recuperou em Chequers, a residência oficial de campo do primeiro- ministro, enquanto sua equipe recebia críticas pelo gerenciamento de uma crise que promete ser longa.

“Em boa forma”, Boris Johnson está “ansioso para assumir as rédeas do governo na segunda-feira”, confirmou o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Dominic Raab, que o substituiu durante a sua ausência.

Prova de seu interesse pelo retorno ao trabalho, Boris Johnson conversou por telefone, na semana passada, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com a rainha Elisabeth II.

“Ele parecia estar muito bem”, disse Donald Trump na quinta-feira. “Energia fenomenal. Dinamismo fenomenal”, acrescentou o americano.

Durante o período de hospitalização, o líder conservador passou três dias em terapia intensiva. Boris Johnson disse que as coisas “poderiam muito bem ter piorado”, saudando a equipe do serviço público de saúde britânico, o NHS, ao qual ele “deve sua vida”.

Entre pedidos para retomar a máquina econômica o mais rapidamente possível e a cautela em relação a um afrouxamento que prejudicasse os sacrifícios feitos até agora no combate à epidemia de Covid-19, as expectativas são altas para que Boris Johnson detalhe seus planos para o país.

As restrições instituídas em 23 de março permanecem em vigor até pelo menos 7 de maio.

Pior recessão em séculos

“Impaciente” para se reunir com o chefe de governo, o líder da oposição, Keir Starmer, enviou uma carta a Johnson na qual reiterava suas críticas.

De acordo com o novo chefe do Partido Trabalhista, “erros” foram cometidos e o governo foi “muito lento”, seja em relação ao confinamento, à triagem dos pacientes ou equipamentos de proteção para profissionais de saúde, mas também no caso dos asilos de idosos.

Como vários países europeus, certas nações do Reino Unido, principalmente a Escócia, começaram a falar sobre uma estratégia para romper o confinamento. Enquanto aguarda o retorno de Boris Johnson, o governo britânico tenta moderar a impaciência da população.

Segundo Dominic Raab, o país está em um “estágio delicado e perigoso” da crise, considerando que “não seria responsável começar a especular sobre as medidas individuais” que serão tomadas no futuro.

No entanto, o governo anunciou que planeja, quando o número de casos de contaminação diminuir significativamente, implantar um aplicativo para rastrear os contatos de pessoas doentes ou com sintomas, a fim de evitar uma segunda onda da epidemia.

Com mais de 20 mil mortes registradas em hospitais, o Reino Unido está entre os países mais afetados da Europa. O balanço se torna ainda mais pesado com as mortes em lares de idosos, número que chega aos milhares de acordo com os profissionais do setor.

Quanto às consequências para a economia, o Banco da Inglaterra alertou na quinta-feira (23) que o país terá de enfrentar a pior recessão “em vários séculos”.