Deputados norte-americanos apresentaram o relatório final do processo de impeachment contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Assim, a votação em plenário que decidirá se o republicano será ou não julgado no Senado deve ocorrer na quarta-feira.

O relatório diz que Trump “traiu o cargo” ao pressionar a Ucrânia a julgar adversários políticos em benefício próprio e que os supostos crimes praticados pelo presidente “colocam em risco o país” (veja quais são as acusações contra Trump no fim da reportagem).

Trump deve sofrer impeachment porque, na Câmara, os deputados do Partido Democrata — ou seja, de oposição — detêm a maioria na casa. Porém, nos Estados Unidos, o presidente não é suspenso se a decisão se confirmar, diferentemente do Brasil.

Caso o impeachment se confirme, o processo segue ao Senado. Em julgamento supervisionado pela Suprema Corte, os senadores votam se aprovam ou não cassar o mandato do presidente. Lá, Trump leva vantagem: a maioria dos parlamentares pertence ao Partido Republicano, governista.

Acusações contra Trump

Na sexta-feira (13), o Comitê Judiciário da Câmara aprovou as acusações a serem usadas contra Trump. Os artigos do impeachment serão:

Abuso de poder ao pedir investigação contra os Biden, no que os deputados consideraram “interferência de um governo estrangeiro” em favor da reeleição de Trump em 2020;

Obstrução de justiça por ignorar intimações e se recusar em entregar documentos aos investigadores durante o inquérito.

A abertura do processo foi anunciada em setembro, motivada porque Trump pediu ao governo da Ucrânia que lançasse uma investigação sobre seu adversário político, Joe Biden – um dos favoritos à indicação democrata para enfrentá-lo na eleição presidencial de 2020, e o filho deste, Hunter.

Trump também reteve uma ajuda militar de US$ 391 milhões ao país, cuja liberação – que acabou acontecendo mais tarde – seria condicionada à colaboração nessa investigação sobre os Biden.

Os rivais do presidente consideraram que ele abusou do poder de seu cargo ao pedir intervenção estrangeira nas eleições americanas.

Após o início do processo de impeachment, Trump ordenou que as autoridades do governo não testemunhassem e se recusou a entregar documentos requeridos pela Câmara relacionados ao assunto.