No  dia Internacional do Orgulho LGBTI+, o Rio ganhou 50 vagas de abrigo específicas para integrantes dessa população, em situação de vulnerabilidade. A criação de um Centro Provisório de Acolhimento estava nos planos de Nélio Giorgini, da Coordenadoria Especial de Diversidade Sexual da prefeitura (Ceds-Rio), desde que assumiu o cargo, e foi concretizado no momento em que as vagas têm sido ampliadas por conta da pandemia do novo coronavírus.

Uma das primeiras cinco beneficiadas pelo hotel social, Paola de Oliveira já passou por outros abrigos da prefeitura depois de ser despejada do apartamento que dividia com o irmão: quando ele morreu, o proprietário não confiou que ela seria capaz de pagar o aluguel. A mulher trans, que trabalhou como mensageira no Fórum do Rio e sonha com um emprego na área de gastronomia, espera poder voltar a ter o próprio lar em breve:

— As portas estão se abrindo mais. Antigamente o mercado era mais fechado a pessoas trans — acredita.

E enquanto esse momento não chega, ela comemora estar entre pessoas mais parecidas com ela:

— Aqui é confortável, e podemos ficar mais à vontade, porque é um grupo de pessoas como nós. Temos as mesmas ideias e perspectivas.

Uma das diferenças do CPA4, localizado na Rua Tenente Possolo, 49, no Centro do Rio, é que lá funciona o Núcleo Luana Muniz, batizado em homenagem à famosa ativista da Lapa, morta no ano passado e imortalizada pela frase “travesti não é bagunça”. O espaço marca a presença do Ceds-Rio local, e vai oferecer capacitação para ajudar os hóspedes a se reinserir no mercado de trabalho. Além disso, a equipe de Assistência Social que atua no hotel social passou por um treinamento específico para atender o público LGBTI+:

— Precisamos de um olhar específico para essa população, que passa inclusive pela linguagem. Não pode haver nenhum tipo de discriminação: elas precisam ser tratadas como gostam e como merecem, inclusive sendo chamadas pelo nome social — diz a secretária de Assistência Social, Tia Ju.

Para Nélio Giorgini, mais do que uma questão de respeito aos direitos humanos, a criação de um abrigo específico para pessoas LGBTI+ é uma forma de reduzir custos sociais e financeiros:

— Quando a pessoa sente que não pertence àquele lugar, é muito mais difícil fazer um plano de recuperação de cidadania. O Estado precisa reconhecer que os pontos de partida são diferentes, portanto, são necessárias ações específicas. No fim, ganha a sociedade toda, já que a pessoa reinserida precisa de menos ajuda do poder público — argumenta.

Além das cinco hóspedes que inauguraram o CPA4, a prefeitura tem a expectativa de levar 12 pessoas que já estão em abrigos da prefeitura, a depender da adesão dos próprios acolhidos. Segundo Giorgini, um levantamento da Secretaria de Assistência Social mostra que, além dessas, há outras 42 pessoas LGBTI+ com necessidade de abrigamento, ultrapassando as vagas oferecidas.

Os interessados podem entrar em contato pela central de serviços 1746, comparecer pessoalmente ao novo hotel, ou então entrar em contato pelo WhatsApp da Ceds-Rio, pelo número (21) 2976-9186.