Enquanto pessoas infectadas com Covid-19 aguardam na fila por internação em hospitais públicos, a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade do Rio tem hoje 2.048 leitos sem uso. Essas unidades, classificadas de forma técnica como impedidas, representam 21% de todas as vagas do sistema existentes na capital. Os dados são do censo hospitalar divulgado nesta quarta-feira à noite pela prefeitura do Rio, que tenta ampliar a oferta de leitos. O quadro mais grave, de acordo com levantamento da Defensoria Pública do Estado, é na rede federal, onde há 1.515 leitos impedidos, dos quais 300 deveriam estar recebendo doentes com coronavírus. Na maior parte dos casos, os leitos foram desativados por falta de pessoal, mas também pesam problemas estruturais, como camas quebradas.

— Vivemos o caos total na saúde — define Thaísa Guerreiro, coordenadora de Saúde e Tutela Coletiva da Defensoria Pública do Estado. — Precisamos rapidamente expandir leitos de UTI e enfermaria para Covid-19. E, com isso, devolver as vagas, principalmente de terapia intensiva, para outras necessidades. Há pessoas morrendo de outras doenças.

Zerar fila é desafio

Nesta quarta-feira, afirma Thaísa, havia no sistema estadual de regulação 132 pessoas com coronavírus à espera de UTI. Mais 181 com outras doenças também aguardavam por vagas. Esta semana, o Hospital de Campanha do Riocentro foi fechado. A defensora lembra que, no dia 28 de dezembro, a unidade tinha 90 pacientes internados.