O  Rio de Janeiro ultrapassou a trágica marca de 50 mil mortes de vítimas da Covid-19 desde início da pandemia, em março de 2020. Foi segundo estado brasileiro a superar a estatística. A Secretaria estadual de Saúde confirmou 226 novos óbitos, totalizando 50.125 mortes e mais de 855 mil casos da doença.

Desde a confirmação da primeira morte por Covid-19 no estado, de uma idosa moradora da pequena cidade de Miguel Pereira, mas que trabalhava como doméstica numa casa no Leblon, passaram-se 433 dias — 62 semanas ou um ano, dois meses e nove dias. Em todo esse tempo, a pandemia não se comportou de forma uniforme e houve piora do quadro nos últimos meses. A marca de 25 mil mortes foi alcançada em 29 de dezembro de 2020, ou seja, com 285 dias. E foi preciso um pouco mais da metade do tempo para dobrar a quantidade de óbitos no estado: 149 dias.

Rio demorou cerca da metade do tempo para dobrar marca de 25 mil mortes por Covid-19Rio demorou cerca da metade do tempo para dobrar marca de 25 mil mortes por Covid-19

Desde março, o Rio tem colecionado novos recordes negativos da doença além de enfrentar a escassez de insumos do “kit intubação”. Nas últimas semanas o Rio conviveu com um patamar de novos casos e mortes jamais visto durante a pandemia. Desde o início de abril até a última segunda-feira foram 54 dias com a média móvel de óbitos acima de 200 diariamente, o que jamais ocorreu.

Segundo dados compilados até esta quarta-feira pelo pesquisador Wesley Cota, da Universidade Federal de Viçosa, o Rio é o estado que mais confirmou novas mortes por 100 mil habitantes nas últimas duas semanas. Ao analisar o mesmo indicador, mas com casos de Covid-19, o Rio aparece no outro lado da pirâmide, sendo o sexto com menor índice de novas confirmações de pessoas infectadas nos últimos 14 dias.

Rio lidera letalidade no Brasil

Desde o início da pandemia, o Rio é apenas o terceiro estado com o menor número de casos confirmados de Covid-19 por 100 mil habitantes, ficando a frente de Pernambuco e Maranhão. A posição, entretanto, não é pela baixa contaminação e reflete o baixo número de pessoas testadas para a doença no estado. Em contrapartida, o estado é a segunda unidade federativa com mais óbitos pelo coronavírus, o que leva o Rio a liderar também o terrível ranking de letalidade pela doença no país com 5,85%, a frente de São Paulo (3,39%) Amazonas (3,37%) e Pernambuco (3,3%).

Gestão da pandemia

A gestão da pandemia no Rio ficou marcada principalmente pelas polêmicas dos hospitais de campanha, que culminou no impeachment de Wilson Witzel, além de prisões de políticos e empresários. Um estudo indica que a má gestão da rede de saúde faz Rio ter a maior mortalidade por Covid-19 do país.Já em âmbito municipal, uma auditoria encontrou irregularidades do Hospital de Campanha do Riocentro, que teve a maior taxa de mortalidade das unidades provisórias da cidade.

Desde o fim de 2020, estado Rio passou por diversas trocas nas gestões da Saúde. Há poucas semanas o médico Alexandre Chieppe, foi escolhido o quinto secretário de Saúde em pouco mais de um ano. Na gestão do ex-governador Wilson Witzel, seus antecessores foram Edmar Santos (de janeiro de 2019 até 17 de maio de 2020), Fernando Ferry (17 de maio a 22 de junho) e Alex da Silva Bousquet (17 de maio a 28 de setembro). Já na gestão de Claudio Castro, já comandou a Saúde do Rio o médico Carlos Alberto Chaves (25 de setembro de 2020 a 4 de maio de 2021).

No município, houve mais estabilidade. O epidemiologista da Fiocruz Daniel Soranz assumiu a secretaria municipal de Saúde na capital com a posse de Eduardo Paes, em janeiro deste ano. No governo Marcelo Crivella, foram dois titulares da pasta durante a pandemia: Beatriz Busch e Jorge Darze — que ocupou interinamente o cargo por poucos dias.

Na capital, bairros da Zona Oeste lideram as mortes

Na cidade do Rio , que chegou a liderar no início do ano o ranking de município com o maior número de mortes por Covid-19 do país, Campo Grande lidera o número de mortes causadas pelo Coronavírus. Somente na capital já foram 26,185 vítimas confirmadas. Dos 10 bairros que mais confirmaram óbitos pela doença, sete estão na Zona Oeste do Rio.

Com mais da metade das mortes no estado, a cidade do Rio convive nas últimas semanas com imagens de desrespeito às regras de enfrentamento à pandemia e a pulverização de festas clandestinas. Durante o período mais crítico da crise do coronavírus, O GLOBO divulgou que jovens marcam festas no Rio por grupos de mensagem e debocham da fiscalização que combate à Covid-19.