De fevereiro de 2011, quando deixou o cargo de chefe de Polícia Civil, até a primeira quinzena de setembro, o delegado Allan Turnowski, de 50 anos, dizia sempre que não pretendia voltar ao comando da corporação. No entanto, há pouco mais de duas semanas, numa academia da Barra da Tijuca, veio o inusitado convite por parte do governador em exercício, Cláudio Castro, com quem Turnowski divide halteres. Até então, as conversas eram restritas a comentários sobre o desempenho do Flamengo. Aceito o convite, o tema dos bate-papos passou a ser um só: segurança pública. Segundo o novo secretário de Polícia Civil — cargo que foi recriado, no ano passado, na administração do governador afastado Wilson Witzel — houve uma mudança drástica nos últimos nove anos: os policiais perderam poder.

Em meio à polêmica decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a restrição ao uso de helicópteros em operações policiais apenas em casos excepcionais, Turnowski pergunta: “A violência no Rio não é um caso de exceção?”. Para o secretário, não há motivos para que as forças de segurança deixem de utilizar aeronaves. As barricadas instaladas nas entradas das comunidades e a presença de homens fortemente armados, por si só, na opinião dele, já se enquadrariam como razões previstas na ordem judicial. Se pudesse, diz ele, “usaria em vez de blindados, tanques”.

O que o senhor pretende fazer?

A sociedade precisa perceber que a polícia faz parte dela e está ali para protegê-la. Em 2009, quando estive em Israel, fui a um kibutz que fabricava blindados. Ao retratar as dificuldades nas favelas cariocas, uma especialista em segurança, CEO de lá, me disse que não iria me vender o blindado dela porque, diante das condições que relatei, nós precisávamos era de um tanque. No fim de 2010, na tomada do Alemão, utilizamos o quê? Tanques. Aqui, temos terrenos íngremes, barricadas nos acessos, que acabam obrigando os policiais a desembarcarem dos blindados. Eles viram alvos. Traficantes se protegem por trás de muros de concretos e seteiras.