Em entrevista à GloboNews o secretário estadual de Saúde do Tocantins, Edgar Tollini, disse que o ‘lockdown’ pode ser estendido para outros municípios. A medida, que determina o fechamento dos serviços não essenciais, começou a valer no sábado (16) e vale para 35 cidades do estado. Tollini comentou ainda sobre a transferência de pacientes com Covid-19 do Pará para UTIs da rede privada de Palmas. Ele afirmou que se surpreendeu com a chegada dos aviões ao estado e que determinou a requisição de leitos da rede privada para “proteger o cidadão tocantinense”.

O lockdown é direcionado, principalmente, para os municípios da região norte do estado, onde se concentra 60% dos casos de Covid-19 no Tocantins. “Lógico, isso é uma medida que pode ser estendida a outros municípios, prefeitos também têm autonomia, como foi decretado pelo Supremo [STF]”, afirmou.

O decreto vale por sete dias. Tollini afirmou que após esse período vai avaliar se há necessidade ou não de estender o prazo. “Esperamos que com a medida, com o lockdown, tenhamos um número de casos decrescente durante essa semana. É importante, sabemos desse problema, da situação socioeconômica, das atividades comerciais, mas é importante que cada município que foi colocado dentro dessas medidas possa ter pelo menos 70% do cumprimento do lockdown para que nós possamos avaliar isso a curto prazo, que é esse prazo de sete dias”.

Durante a entrevista, ele também comentou sobre a quantidade de leitos de UTI no Tocantins. Disse que o estado tem 46 leitos disponíveis para atender especificamente pacientes com o novo coronavírus e que precisou requisitar leitos da rede privada para proteger os moradores do estado.

Durante a semana, pacientes do estado do Pará com diagnóstico de Covid-19 foram trazidos para o Tocantins em UTIs aéreas.

Os hospitais privados, no dia 15 de março, solicitamos que eles nos passassem o quantitativo exatos de leitos de UTI, que poderiam ser usado pela rede. Necessariamente, a rede do cidadão tocantinense. Eu esperava essa resposta, os hospitais não me responderam e na quinta-feira, nós fomos surpreendidos por aviões, UTIs aéreas chegando até o Tocantins com pacientes de outros estados, especificamente do Pará, da companhia Vale do Rio Doce, que é uma empresa privada, que tem condições e recursos financeiros para pagar os hospitais que hoje também passam pela mesma crise socioeconômica de todos os segmentos, disse Tollini.

Ele informou que, em um dia, chegaram 17 pacientes oriundos do Pará. Afirmou também que no total há 92 pessoas internadas, mas que antes dessa transferência, havia apenas 60.

“Essa medida foi necessária para proteger o cidadão tocantinense, nós requisitamos administrativamente, chegamos a um número de 46 leitos nos entes privados e isso ampliou a oferta e deixamos 30% para que eles possam atender os convênios, mas acima de tudo proteger o cidadão tocantinense que necessita de estar com todos os leitos da rede privada e pública”.

No Tocantins, até o sábado (16), tinham sido confirmados 27 mortes e 1.279 casos da Covid-19. Para o secretário, os números são baixos, tendo em vista a situação nacional.

“Para você ter uma ideia, o Brasil hoje, em cima do número de casos que nós temos, o Tocantins era para ter aproximadamente 1.900, quase 2.000 casos. Nós somos 0,75 da população brasileira. Hoje nós temos 1.200 e se vocês olharem o número de óbitos, tem 27 óbitos e pelas taxas do Brasil, teríamos que ter 120. Eu tenho uma situação de casos leves e moderados que são tratados através de isolamento domiciliar, vão com a medicação, são atendidos nas unidades. Nós estamos fazendo um trabalho, eu não digo antecipado, mas começamos a pensar desde o primeiro dia, quando em 5 de fevereiro, o ex-ministro [de Saúde] Mandetta convocou os secretários de saúde, o Tocantins começou a trabalhar”, disse.

As informações são do  G1 Tocantins.