O dia 4 de agosto poderá ser visto no futuro próximo como um divisor de águas para o atual ciclo imobiliário. Quando Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) apertou o ritmo de alta da Selic e sinalizou que vai levar a taxa básica para o terreno restritivo, o mercado passou a refazer as contas sobre o que esperar das taxas do financiamento habitacional. Para os especialistas entrevistados pelo Valor, ainda que o cenário-base seja o de juros de um dígito no fim do ano, o risco de o custo total do crédito para aquisição de imóveis ultrapassar a barreira dos 10% ao ano subiu muito.

“Se a gente tivesse conversado três semanas atrás seria um outro cenário [para o crédito imobiliário]”, afirma o economista e coordenador do índice de preços de imóveis anunciados FipeZap, Eduardo Zylberstajn. “Mas com alguns analistas prevendo Selic a 9% isso traz um complicador a mais”, acrescenta. Para o professor de Finanças do Insper Ricardo Rocha, “o mais provável é que a Selic alcance 7,5% [no fim de 2021], mas no cenário mais pessimista pode ir até 9%”.

Antes da reunião do Copom de agosto, a expectativa do mercado convergia para uma taxa básica no fim do ano de 6,5%. A estimativa levava em conta a sinalização do BC, até então, de que iria levar a Selic até o nível neutro, ou seja, o patamar no qual os juros mantêm a inflação em direção à meta, mas não restringem a atividade. Agora, a autoridade monetária já sinaliza um ajuste com efeito restritivo na economia. Na mais recente pesquisa Focus do BC, que reúne estimativas de agentes do mercado, a mediana para a taxa básica no fim de 2021 já está em 7,50%.