O fato de a aeronave que caiu com a cantora Marília Mendonça e outras quatro pessoas ter batido em um cabo de torre de distribuição de energia, a cerca de 4 km da pista de pouso não basta para uma conclusão do acidente. A explicação é do especialista em análises de riscos, Gustavo Cunha Mello.

“Em condições normais, o piloto teria conseguido enxergar a torre a tempo de desviar da estrutura. É preciso explicar as condições de voo e da aeronave”, diz o especialista.

No sábado (6), a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) informou que o avião da cantora bateu em um cabo de uma torre de distribuição de energia da companhia em Caratinga, em Minas Gerais. Ao analisar a situação, Cunha Mello disse que o aeroporto da região não tem radar e as aeronaves que pousam na pista não fazem o chamado pouso por instrumentos.

O especialista vai além e ressalta que o pouso é feito de forma visual, ou seja, quando o piloto não tem auxílio de radares para ajudá-lo a acertar o trajeto do pouso. Justamente por isso, o aeroporto em Caratinga só recebe voos diurnos.

“O avião não poderia estar tão baixo. O piloto teria que enxergar a torre. O que precisa ser apurado é justamente os motivos de o condutor da aeronave não ter visto a estrutura, se houve falha operacional ou alguma outra pane que não permitiu ele ficar na altitude que deveria estar para não haver a colisão”, explicou.

Ele ressalta que qualquer afirmação neste momento seria equivocada e não dá para responsabilizar ninguém sem que todas as causas do acidente sejam apuradas pelos órgãos competentes. Mas, para ele, é importante investigar as condições que levaram a aeronave a voar tão baixo, bem como avaliar as possíveis falhas mecânicas no avião.

Além disso, diz ele, é importante verificar se a aeronave teria sistemas acoplados de detecção de colisões. Apesar de não ser obrigatório, é um equipamento de segurança muito importante. “Quando você está perto de uma montanha, por exemplo, esse sistema te avisa, dispara um alarme na cabine para avisar que tem um objeto muito próximo da aeronave”, explica.

A possibilidade de os tripulantes terem recebido uma alta carga de energia após o avião colidir com a torre foi um ponto destacado pelo especialista. Segundo ele, é impossível, neste caso, os passageiros terem morrido por causa de um possível choque.

“Para tomar um choque é preciso a corrente encontrar terra. É impossível você tomar um choque dentro do avião num caso como esse. Os elétrons passam pelo avião, mas não acontece nada com ninguém. Se o avião apenas bateu no fio de alta tensão e não se enroscou nesses cabos, essa descarga elétrica não atinge o avião nem os tripulantes”, disse.

Cunha Mello concluiu dizendo que se o avião tivesse se enroscado nos fios e ficasse preso a esses cabos, a descarga elétrica seria tão potente que a aeronave viraria uma “bola de fogo” e as pessoas poderiam ser carbonizadas.