01Steve Bannon foi preso sob a acusação de desviar dinheiro de uma campanha de apoio à construção de um muro entre os Estados Unidos e o México, e liberado sob uma fiança de US$ 5 milhões.

Bannon foi o estrategista chefe da campanha de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e é considerado um dos arquitetos de sua vitória em 2016, mas também atuou como conselheiro de líderes conservadores de outros países e é criador do grupo The Movement, que tem representantes no mundo todo (leia mais abaixo).

Quando jovem, passou quatro anos na Marinha, depois de estudar em uma escola militar preparatória, e obteve um MBA na Universidade de Harvard. Sua primeira carreira foi na área de investimentos, onde trabalhou na Goldman Sachs.

Mais tarde, mudou para o ramo de financiamento de mídia, e foi um dos responsáveis pelo lançamento da série de comédia “Seinfeld”. Bannon também trabalhou em Hollywood, e tem em seu currículo 18 títulos como produtor e nove como diretor, incluindo documentários sobre o ex-presidente Ronald Reagan e a ex-candidata republicana à vice-presidência Sarah Palin.

Seu envolvimento com conservadores e com os bastidores da política ganhou impulso quando se uniu a Andrew Breitbart, um empresário disposto a criar um site de mídia “pró-liberal”. Após a morte de Breitbart, em 2012, Bannon assumiu a chefia do Breitbart News, um canal que foi considerado racista e antissemita, mas que ele descrevia como “a plataforma da direita alternativa”.

Conhecido por Trump desde 2010, ele assumiu a chefia de sua campanha em agosto de 2016, e, após a vitória nas eleições, ganhou o cargo de estrategista chefe do governo. Em agosto de 2017, no entanto, ele deixou a Casa Branca, entre acusações de antissemitismo e defesa de supremacistas brancos.

Nos bastidores, porém, a versão é de que ele teria criado inúmeros atritos com outros assessores de alto escalão, especialmente Jared Kushner, genro de Trump. Além disso, o próprio presidente teria se cansado da atenção dispensada a Bannon pela imprensa, que atribuía a ele o crédito pela vitória nas eleições, e pelas suspeitas de que ele vazaria informações da Casa Branca.

Ele então voltou ao Breitbart News, onde continuou defendendo Trump e atacando seus oponentes, mas logo mostrou discordâncias, criticando, por exemplo, a demissão do diretor do FBI, James Comey, o que chamou de “o maior erro da história política moderna”.

Para piorar, disse que a reunião entre Donald Trump Jr. e um grupo de russos, citada no processo de impeachment do presidente, havia sido “traiçoeiro”.

Irritado, Trump emitiu um comunicado no qual disse que “Steve Bannon não tem nada a ver comigo ou com minha presidência. Quando foi demitido, não apenas perdeu seu emprego, perdeu sua lucidez”.

A briga acabou custando a Bannon o trabalho, já que seu site perdeu financiadores, incluindo a maior deles, Rebekah Mercer. O fato foi celebrado por Trump com um apelido para o ex-amigo: “A família Mercer recentemente despediu o vazador (de informações) conhecidos como Steve Bannon Desleixado. Espertos!”, escreveu em uma rede social.

No ano passado, porém, os dois já pareciam ter feito as pazes, e Trump voltou a elogiar Bannon, a quem descreveu como “um de meus melhores pupilos” e “ainda um enorme fã de Trump”.

Ao  ser informado da prisão de Bannon, o presidente disse que se sentia “muito mal” por ele.

The Movement

O grupo The Movement foi criado por Bannon com a proposta de eleger líderes de direita na Europa e obter assentos no Parlamento Europeu.

Ele chegou a manter conversas com políticos populistas e de direita como Viktor Orbán, da Hungria, Matteo Salvini, da Itália, e representantes de Geert Wilders, da Holanda, e Marine Le Pen, da França, mas o movimento não chegou a ganhar força no continente.

No Brasil, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) disse em uma rede social, em janeiro de 2019, que Bannon o havia escolhido para liderar o movimento na região.

“Satisfação em ser o líder do The Movement para América Latina ao lado de Steve Bannon”, escreveu Eduardo na legenda de uma imagem em que aparece abraçado a Bannon.

Em março daquele ano, Bannon encontrou-se com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em um evento na embaixada do Brasil nos EUA definido pelo Palácio do Planalto como “jantar com formadores de opinião”, em Washington. Bannon sentou-se do lado esquerdo de Bolsonaro – à direita estava o escritor Olavo de Carvalho.