Usar azeite de oliva em vez de margarina, manteiga e outras gorduras saturadas é uma atitude que pode ajudar a proteger contra câncer, doenças respiratórias e cardiovasculares, demência e outras condições, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira (10).

“É uma combinação da redução da quantidade de gordura saturada com o aumento da gordura monoinsaturada encontrada no azeite de oliva”, diz Howard LeWine, o editor médico do Harvard Health Publishing, da Escola de Medicina de Harvard.

“A conclusão é usar azeite de oliva sempre que puder, como substituto de gorduras saturadas, quando estiver cozinhando ou nos molhos para salada”, afirma LeWine, que não tem ligação com o estudo.

A pesquisa analisou as dietas de pessoas inscritas em dois grandes estudos financiados pelo governo americano: o Nurses’ Health Study e o Health Professionals Follow-up Study. Os pesquisadores compararam os resultados dos estudos a registros de mortes dos participantes ao longo do tempo.

Homens e mulheres que substituíram pouco mais de duas colheres de chá (10 gramas) de margarina, manteiga, maionese ou gordura láctea pela mesma quantidade de azeite de oliva tiveram um risco geral de morte 34% mais baixo do que as pessoas que ingeriam pouco ou nenhum azeite de oliva, de acordo com uma das autoras do estudo, Marta Guasch-Ferre, pesquisadora no Harvard T.H. Chan School of Public Health.

“Este é o primeiro estudo a longo prazo, incluindo mais de 90 mil participantes e conduzido por 30 anos, realizado com a população americana, sobre azeite de oliva e mortalidade. Estudos anteriores foram conduzidos com populações do Mediterrâneo e da Europa, onde o consumo de azeite de oliva tende a ser maior”, disse Guasch-Ferre via e-mail.

“Nossos resultados fornecem suporte adicional às recomendações para substituir gordura saturada e gordura animal por óleos vegetais insaturados, como azeite de oliva, para a prevenção de morte prematura”, acrescentou.

Os participantes que relataram ingerir as quantidades mais altas de azeite de oliva tiveram 19% menos risco de morrer de condições cardíacas, 17% menos risco de morrer de câncer, 29% menos risco de morrer de doença neurodegenerativa e 18% menos risco de morrer de doença respiratória. As taxas de mortalidade foram comparadas àquelas de quem nunca ou raramente consumia azeite de oliva em vez de gorduras saturadas, afirmou em um editorial Susanna Larsson, professora associada e epidemiologista no Karolinska Institutet, na Suécia.

Tanto o estudo quanto o editorial foram publicados no periódico Journal of the American College of Cardiology.

A conexão entre azeite de oliva e menos mortes por doenças cerebrais foi “novidade”, escreveu Larsson. “Considerando a falta de estratégias preventivas para o Alzheimer e a alta mortalidade relacionada à doença, esta descoberta, se confirmada, é de grande importância para a saúde pública.”

Amado no Mediterrâneo

O azeite de oliva, ou “laderá” em grego, é um elemento fundamental na premiada dieta mediterrânea, que, segundo estudos, pode reduzir o risco de diabetes, colesterol alto, demência, perda de memória, depressão e câncer de mama. A dieta — que é mais um estilo de alimentação do que uma dieta restritiva — também foi associada a ossos mais fortes, coração mais saudável e longevidade.

Embora a dieta mediterrânea seja baseada em alimentos tradicionais dos 21 países que cercam o mar Mediterrâneo, ela gira em torno de um tema fundamental. O foco é em uma cozinha simples, baseada em plantas, contemplando vegetais e frutas, grãos integrais, leguminosas, sementes e castanhas, além de uma grande ênfase no azeite de oliva extra virgem.

Na Grécia, o local de nascimento da dieta mediterrânea, o azeite de oliva é tão presente na vida cotidiana, que quando os nativos acham que alguém está enlouquecendo, dizem que a pessoa está “choris ládi” ou “perdendo azeite”.

Mas comida não é o único foco do estilo mediterrâneo, que recentemente conquistou pela quinta vez seguida o topo do ranking de melhores dietas. É um estilo de vida que também enfatiza o movimento — caminhada, ciclismo, jardinagem — assim como a alimentação consciente e os benefícios sociais de jantar com amigos e familiares.

Comportamentos saudáveis

Uma preferência por comportamentos saudáveis também foi encontrada entre os homens e mulheres que ingeriam mais azeite de oliva, segundo Guasch-Ferre. Eles tinham propensão a ser mais ativos fisicamente e comer mais frutas e vegetais do que aqueles que ingeriam menos azeite de oliva. Eles também tinham menor propensão ao tabagismo.

“É verdade que pode ser difícil discernir os efeitos reais do azeite de oliva versus os efeitos de outros comportamentos saudáveis”, afirmou Guasch-Ferre, acrescentando que mais estudos são necessários para descobrir se resultados similares serão encontrados.

Entretanto, o estudo realizou ajustes em relação a alguns fatores de confusão potenciais, “incluindo fatores de dieta, de estilo de vida, histórico de doenças cardíacas, assim como status socioeconômico”.

“Nenhuma evidência científica sustenta a noção de que ingerir mais azeite de oliva possa causar aumento de peso”, acrescentou a pesquisadora. “O azeite de oliva provavelmente aumenta a saciedade, o que pode potencialmente reduzir o consumo de lanches não saudáveis.”