Abdalla Hamdok, primeiro-ministro deposto do Sudão, voltou para casa com a esposa nesta terça-feira (26), um dia após a sua equipe denunciar que o governante havia sido detido durante o golpe de Estado liderado por militares.

“Hamdok voltou com a esposa à sua residência no subúrbio de Kafouri, em Cartum do Norte, e não tem nenhuma restrição de movimento nem de comunicação”, afirmou a fonte do gabinete do comandante-chefe do Exército, Abdelfatah al Burhan, que pediu anonimato.

Hamdok estava detido na casa de al Burhan. O comandante-chefe do Exército declarou à imprensa na última segunda-feira (25) que Hamdok estava “bem de saúde” e iria “retornar para casa quando a crise” acabasse.

A ação dos militares do Sudão aconteceu cerca de dois anos depois da deposição do presidente Omar al-Bashir, que governava o Sudão desde 1989. Al-Bashir é acusado de crimes de guerra e genocídio no conflito de Darfur.

O golpe militar contra Hamdok fez com que milhares de pessoas saíssem às ruas de Cartum para protestar. De acordo com fontes médicas ouvidas pela BBC, pelo menos dez cidadãos foram mortos pelas forças de segurança do país durante os protestos.

Segundo Burhan, a ação dos militares sudaneses tem como objetivo garantir uma “passagem democrática para a atribuição do poder a um governo eleito”, já que o governo transitório composto de civis e as Forças Armadas nacionais não conseguiram organizar o pleito.