A Turquia divulgou  que a vacina CoronaVac teve eficácia de 91,25% contra o novo coronavírus em uma análise preliminar dos resultados. Entretanto, além do anúncio, o estudo completo não foi apresentado.

O dado não foi comentado pela desenvolvedora da vacina e nem pelo Instituto Butantan.

A CoronaVac é desenvolvida pela chinesa Sinovac, que tem acordo com o governo de São Paulo. O Instituto Butantan coordena os testes no Brasil e já trabalha na produção do imunizante a partir de matéria prima recebida da China.

Em nota divulgada após o anúncio da Turquia, o Butantan disse “que não comenta informações relativas a contratos da Sinovac com outros países”.

Na quarta-feira, o governo paulista tinha a previsão de anunciar a eficácia da vacina, mas a divulgação foi adiada a pedido da fabricante chinesa. Nesta quinta, o secretário estadual da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, disse que a eficácia medida nos testes no Brasil é “bem superior” ao mínimo de 50% recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Entretanto, os percentuais obtidos no Brasil são diferentes dos verificados em outros países onde ela também é testada (China, Turquia e Indonésia). “(A Sinovac) quer entender por que tivemos um resultado, e, em outros países, outro”, disse Jean Gorinchteyn.

Resultados preliminares na Turquia

Os dados divulgados pelo governo turco em coletiva de imprensa sinalizam que os percentuais estão relacionados a uma “análise interina”, ou seja, a uma avaliação parcial dos resultados. Sites locais apontaram que o governo divulgou que houve 29 casos de Covid-19 em um universo de 1,3 mil voluntários (3 casos entre os que tomaram a vacina e 26 no grupo que tomou placebo).

No Brasil, o Butantan declarou em 23/11 ter alcançado o mínimo de infectados para abrir a análise interina (eram necessários ao menos 61 casos de Covid-19 ocorressem entre os 13 mil voluntários, e na data já havia 74). Apesar disso, na ocasião, os pesquisadores brasileiros não divulgaram os percentuais de eficácia e preferiram aguardar a continuidade dos estudos.

A Indonésia, que também testa a vacina, chegou a divulgar no começo do mês que tinha verificado 97% de eficácia. Mas depois precisou se retratar, dizendo que os dados só estariam disponíveis em janeiro.

Poucas informações e comunicação confusa

A doutora em neurociências e divulgadora científica Mellanie Fontes-Dutra, que faz pós-doutorado em bioquímica na UFRGS, aponta que as primeiras informações vindas da Turquia parecem de fato estar relacionadas a resultados preliminares do estudo de fase 3.

“Realmente parece ser o caso de uma análise interina. Mas são só hipóteses, a gente tem muito pouca informação e é isso que a gente está supondo”, explicou Mellanie.

“São dados interessantes, mas preliminares. Mais eventos (pessoas infectadas entre os voluntários) precisam ser analisados em uma população maior de participantes para poder prosseguir a avaliação até a análise final de eficácia”, explicou a especialista.

Continuidade dos testes

De acordo com a agência de notícias Reuters, os pesquisadores turcos sinalizaram que os testes continuam e eles disseram que é “provável que a taxa aumente com base em dados de testes em estágio avançado”.

Os pesquisadores, que integram o conselho científico do governo, afirmaram que nenhum sintoma importante foi detectado durante os testes da CoronaVac na Turquia, exceto por uma pessoa que teve reação alérgica.

A agência de notícias Associated Press relatou que o ministro da saúde da Turquia, Fahrettin Koca, ressaltou que os dados divulgados por eles são os primeiros já divulgados sobre a CoronaVac. No país, os testes envolvem 7.371 voluntários.

A Turquia comprou 50 milhões de doses da CoronaVac em 11 de dezembro, mas o embarque foi adiado. O ministro Fahrettin Koca disse que as vacinas chegarão à Turquia na segunda-feira (28), acrescentando que o país irá vacinar cerca de 9 milhões de pessoas do primeiro grupo, começando pelos profissionais de saúde.