Uma pesquisa realizada pelo Unicef e o Gallup apontou que adolescentes de 21 países estão mais otimistas do que os adultos quanto ao futuro. O estudo compara a visão de jovens de 15 a 24 anos com a de adultos maiores de 40 anos.

Questionados se o mundo está se tornando um lugar melhor para cada nova geração, 57% dos adolescentes e jovens disseram que sim, enquanto apenas 39% dos adultos responderam afirmativamente.

No caso do Brasil, o otimismo é o segundo mais baixo, atrás apenas do Mali, na África ocidental. Somente 31% dos adolescentes e jovens brasileiros, e 19% dos adultos, acreditam que o mundo está melhorando.

Em entrevista, a representante do Unicef no Brasil, Florence Bauer, destacou que a nova geração “sofre mais com impactos de saúde mental do que os adultos” no mundo todo, mas ainda mais fortemente no país.

Segundo Florence, uma das explicações para o otimismo mais baixo dos brasileiros pode ser a pandemia: “No Brasil, constatamos que o otimismo é menor do que o comparado com outros países, mas temos que levar em conta que a pesquisa aconteceu durante o pico da pandemia, o que influi, era uma situação forte.”

A representante do Unicef ainda destacou que os jovens, de acordo com o levantamento, estão preocupados com “uma série de problemáticas”, como as mudanças climáticas.

“É uma geração ao mesmo tempo preocupada com uma série de temáticas globais e que quer ser parte da solução, eles querem ser ouvidos para as medidas a serem tomadas para o futuro.”

A especialista também disse que “os jovens veem a educação e o trabalho como chave do sucesso, e isso é ainda mais forte no Brasil do que em outros países.”
As entrevistas foram realizadas entre fevereiro e junho de 2021. No Brasil, foram realizadas entre o dia 23 de fevereiro e o 17 de abril.