O julgamento de um homem acusado de assalto a banco em Nova Jersey (EUA), ocorrido em 2014, foi anulado pelo fato de o promotor exibir a foto de uma cena clássica e aterrorizante do filme “O iluminado”, de 1980, após revisão do caso. Na cena, o personagem de Jack Nicholson empunha um machado enquanto esposa e filho se escondem em um banheiro de hotel isolado. Ele quebra um pedaço da porta com o machado e enfia a cabeça pela abertura.

A ideia do promotor era mostrar que Damon Williams havia aterrorizado o caixa. E funcionou: o réu foi condenado a 14 anos de prisão. O júri considerou que Damon ameaçou o funcionário do banco, o que agravou a sentença. A sinistra imagem de Nicholson reforçou a suposta ameaça apresentada pela acusação nas suas deliberações finais do caso.

Porém, de acordo com o processo, durante o assalto, Damon se manteve tranquilo e nada ameaçador, contou reportagem de afiliada da rede NBC. “Por favor, todo o dinheiro, notas de 100, 50, 20 e 10. Obrigado”, disse ele ao caixa. Imagens de câmera de segurança mostraram que o réu não mostrou arma e sequer afirmou ter uma. Ele saiu da agência com US$ 4.600 (cerca de R$ 25 mil).

A  Suprema Corte de Nova Jersey considerou que o promotor errou ao exibir ao júri a imagem de Nicholson no filme e decidiu que num novo julgamento será realizado.

Lee Solomon, o defensor público que assumiu a revisão do caso depois de anos, disse que a Promotoria foi muito além das provas para traçar um bizarro paralelo entre a conduta do réu e a de um vilão de filme de terror. Solomon acredita que o cliente deva ser condenado por assalto em terceiro grau – e não segundo, como ocorreu no julgamento -, quando não há uso de força.