Desde meados de 2020, quando surgiram os primeiros testes com vacinas, milhões de brasileiros contam as horas para o dia em que serão imunizados contra a Covid-19. As doses, além de protegerem contra a doença, carregam a esperança de tempos melhores e reforçam a importância de valorizar a ciência. É a chance de voltar a ter uma rotina mais “normal”: avós, por exemplo, sonham em abraçar seus netos. Profissionais da saúde, milhares já imunizados, viram na vacina um recomeço, e um grande alívio.

No Rio, mais de 100 mil pessoas já receberam a primeira dose. Idosos em geral começam amanhã a serem vacinados na capital, com divisão de idade por dias: inicia-se com os de 99 anos ou mais, seguindo dia a dia até chegar aos com 80, em 26 de fevereiro. O plano nacional prevê a fase seguinte com idosos de 60 anos ou mais e que não vivem em asilos, ribeirinhos, pessoas com comorbidades ou deficiência grave, moradores em situação de rua, presos, carcereiros, caminhoneiros e trabalhadores da educação, do transporte, da indústria e dos portos. O restante (exceto menores de 18 anos e gestantes) será vacinado por último. Abaixo, conheça as histórias de algumas pessoas que já receberam a vacina e outras à espera.

‘Quero ter os abraços’

A aposentada Jacy Dias, de 81 anos, mora em São Gonçalo, na Região Metropolitana, e considera a vacina a maior conquista da ciência: “O ano passado seria de recuperação após uma infecção que me deixou sem andar. É muito difícil não ver ninguém, não receber os amigos e meus netos. Quero ter os abraços. Hoje só consigo ver as pessoas pela janela com uma grande, parece prisão. Estou ansiosa pela minha vez de esticar o braço e ser vacinada, com muitas saudades de ver as pessoas e de fazer uma fofoquinha com os amigos de uma vida”.

‘Vou querer celebrar’

Com 25 carnavais pela escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, a porta-bandeira Selminha Sorriso já pensa na celebração: “Quero fazer uma festa quando for vacinada, registrar o momento com vídeos e fotos. Eu sou chorona e já imagino o quanto vou ficar emocionada. Vou sair do posto correndo pegar a bandeira da Beija-Flor para comemorar. Eu vou querer celebrar. Estou esperando com paciência, pois sei que outros grupos precisam da imunização com mais urgência. Não vamos perder a fé jamais, isso vai passar logo logo.”

 ‘Só virão coisas boas’

Trabalhando há quase uma década nas praias do Rio, o ambulante Rogério Augusto da Silva, de 51 anos, não vê a hora de ser vacinado: “Assim que a dose estiver disponível para o meu grupo, vou correndo para o posto de saúde. Eu estou ansioso pela imunização contra a Covid-19. Só virão coisas boas depois que a nossa sociedade estiver livre dessa doença que me deixou cinco meses sem trabalho e sem qualquer renda. Na pandemia, eu e a minha família ficamos dependendo da ajuda financeira dos parentes. Torço por dias melhores”.

‘Vejo a vida da janela’

Aos 71 anos, a aposentada Iranete Ribeiro encontrou na janela da casa onde mora, em Olaria, Zona Norte do Rio, a melhor forma de ver o mundo: “Não vejo a hora de ser vacinada e de ter todos os meus amigos e parentes imunizados também. Com a pandemia, fiquei isolada dos meus netos, minhas maiores paixões, sem abraçá-los. E quase não vou à rua, vejo a vida da janela. Também quero voltar a ir passear no shopping, atividade que não faço há quase um ano. Eu tenho fé que essa vacina vai acabar de vez com essa doença cruel”.

‘Estou muito ansioso’

Josias Barbio, de 56 anos, é motorista de ônibus há três décadas na Transportes Flores e mora em São João de Meriti, Baixada Fluminense: “Eu estou muito ansioso com a vacina contra a Covid-19 e aguardando a minha vez, que vai chegar, se Deus quiser. Durante a pandemia, fiquei três meses sem trabalhar. Quando voltei, segui todos os protocolos de proteção, desde o uso da máscara até colocar toda roupa para lavar quando chego em casa. A gente precisa se cuidar enquanto a vacina não vem para todos. Não se pode relaxar”.

‘Vacina dá confiança’

Morador de Barra Mansa, Sul Fluminense, o médico Leonardo Fernandes, de 28 anos, aponta os últimos meses como os mais desafiadores da carreira: “A vacinação dá confiança para seguirmos na luta, que será longa. Quanto mais cedo essa imunização em larga escala for alcançada, melhor será. Teremos mais segurança e esperança de dias melhores. Para isso, precisa-se da conscientização de todos. Eu sou grato por estar exercendo minha profissão em um cenário tão conturbado e por poder ajudar no combate à Covid-19”.

‘Viva a saúde pública’

A enfermeira Vanessa Castro, de 24 anos, mora na capital fluminense e começou a carreira profissional em meio à pandemia: “A vacina é uma conquista que precisa ser ampliada para toda a população. Eu esperava muito por ela e fico feliz demais por ter sido imunizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Por isso, eu digo: viva a saúde pública! A vacina fez acreditarmos ainda mais na ciência. É fundamental lembrar que, mesmo com as doses começando a serem aplicadas, as medidas de proteção contra o contágio precisam ser cumpridas.”

‘Eu voltei a sonhar’

Enfermeira intensivista há 20 anos, Hamanda Garcia, de 42, moradora de Niterói, Região Metropolitana do Rio, lamenta todos os dias que tem passado longe da mãe: “A chegada da vacina encheu nossos corações de esperança. Eu voltei a sonhar. Estar protegido para enfrentar essa doença nos fortalece. Espero que todos tenham o direito da vacinação assegurado. Acompanhei toda a equipe de um CTI se contaminar e adoecer. É uma tristeza profunda. Ficar longe da minha mãe, que é grupo de risco, castiga meu coração”.

‘O esperado dia veio’

Para a técnica de enfermagem Bárbara Alves Fonseca, de 36 anos, de Petrópolis, Região Serrana do Rio, vacinação é um ato de cidadania: “Quase um ano de pandemia, que loucura né?! Como profissional da saúde não tive escolha, arregacei as mangas e encarei. E o tão esperado dia veio. Uma emoção que transborda vida e esperança, uma expectativa que virou realidade. Eu só tenho gratidão pela chance de ser imunizada! Vamos continuar vacinando e fazendo nossa parte como cidadãos, com um passo de cada vez. Viva ao SUS!” .

‘Saudades da família’

Nascido em Belford Roxo, Baixada, o aposentado Cláudio Barreto, de 82 anos, não vê a hora de receber as visitas na casa de repouso onde mora, em Nilópolis: “Eu estou bastante feliz por ter tomado a vacina para essa doença terrível. Mas vou ficar ainda mais contente quando todos os meus colegas aqui também receberem a vacina. Só de falar dos meus sobrinhos, que costumavam me visitar, meus olhos brilham. Eu tenho saudades da família. A pandemia de Covid-19 restringiu as nossas atividades”.