Em um cenário de juros baixos e, consequentemente alguns tradicionais produtos de renda fixa rendendo menos, as pessoas passaram a buscar mais opções de investimentos. A tarefa de escolher as aplicações, no entanto, não é fácil. O assunto foi tema de um episódio do podcast Itaú Personnalité feito especialmente para a Semana Mundial do Investidor. Nele, o analista do Itaú Lucas Parras deu cinco dicas para montar uma boa carteira.

1) Perfil do investidor

A primeira dica, segundo o analista, é que o investidor respeite seu perfil. Ele explica que é frequente que as pessoas associem o perfil com a rentabilidade, assumindo que investidores mais agressivos terão mais retorno. Porém, é importante lembrar que o apetite ao risco também é parte importante dessa análise.

“Sempre ‘linkamos’ o perfil com retorno, mas esquecemos do risco. O perfil do investidor está mais ligado ao quanto você tolera de risco. Quando aquela carteira mais agressiva está rendendo muito, está positiva, o investidor pode ficar feliz e até alocar mais. Mas quando vem um momento como o atual, de crise e oscilação de mercado maior, ele pode não conseguir lidar, e aí a atitude mais comum na hora que ele vê aquele prejuízo diário, é fazer o resgate, porque aquela pessoa pode ter um perfil que não suporta esse tanto de oscilação”, explica.

2) Diversificação

Investir em diferentes produtos e classes de ativos também é uma dica do especialista. A ideia é que ao aplicar em ativos variados, aquele investidor corre menos riscos. Isso porque, caso algum papel esteja em queda, ele pode ser compensado por outro que esteja subindo.

“É como uma dieta. Não adianta só ter ações na carteira, assim como não adianta comer só o feijão que o nutricionista passou, não será saudável. Também não adianta comer muito de tudo que está na dieta. Então, o essencial é investir em diversos produtos e classes de ativos e na alocação adequada para cada perfil”, afirma.

3) Ver carteiras recomendadas

A terceira dica do analista é acompanhar as carteiras recomendadas de casas de análises e especialistas. Isso ajuda o investidor a escolher onde diversificar de acordo com o seu perfil.

“No começo as pessoas têm muita dificuldade de diversificar. Quando eu comecei, eu tinha medo de sair da poupança e meu primeiro passo foi olhar uma carteira recomendada, vi meu perfil e qual era o produto preferido e coloquei um dinheirinho. Foi um produto só, não foi uma diversificação, mas com o tempo fui vendo mais um pouco de uma classe de ativos, de outra, sempre respeitando o percentual recomendado para o meu perfil”, conta.

Ele afirma que olhar as recomendações é importante porque há todo um trabalho de profissionais treinados para encontrar as melhores oportunidades para cada investidor. “Ali, entregamos pra cada perfil de investidor o quanto ele deve alocar em cada produto recomendado”, diz.

4) Falar com especialistas

Outra dica importante, segundo Parras, é entrar em contato com especialistas. Ele explica que esse contato é interessante não só para quem está começando e quer tirar dúvidas como também para investidores mais experientes pedirem uma segunda opinião sobre algum investimento ou cenário.

“Quando eu estava começando, cheguei a ligar para o canal de atendimento. E até mesmo quando eu tinha mais experiência de mercado, eu liguei, porque é sempre bom ter a opinião de um especialista, ele pode te mostrar alguma coisa que você não está enxergando, uma oportunidade”, afirma.

5) Cuidado com as emoções

A última dica trazida pelo especialista é não agir movido pela emoção. Embora reconheça que é difícil, Parras sugere que os investidores sempre avaliem suas ações de forma racional, sem se deixar levar tanto pela vontade de aplicar em algo que está subindo muito ou sair de um investimento que esteja caindo.

“Quando a pessoa tem uma carteira, respeitando seu perfil, balanceada e vê algum investimento rendendo muito, ela tem vontade de colocar mais dinheiro. Mas é importante ter muito cuidado, ver se aquilo está dentro do perfil. O contrário também acontece, se algum investimento está caindo muito, é importante analisá-lo, ter uma visão de longo prazo, pensar que ele pode ter caído agora nesse momento, mas é um investimento de longo prazo”, afirma.