O ministro das Comunicações da Venezuela, Jorge Rodríguez, voltou  a acusar Brasil e Peru de participação no assalto a um batalhão no sul do país e disse que o presidente da Colômbia, Iván Duque, teria patrocinado o ataque, para desencadear um incidente que justificasse uma intervenção militar dos Estados Unidos.

Segundo Jorge Rodríguez, o ataque de domingo no estado de Bolívar (na fronteira com o Brasil) foi perpetrado por um “grupo de desertores (das Forças Armadas da Venezuela) protegidos, financiados e cobertos pela logística do governo de Iván Duque”.

O ministro disse ainda, em entrevista coletiva, que a intenção dos desertores seria promover atos terroristas em seu próprio país e, eventualmente, a derrubada de um avião da Força Aérea Colombiana, em território colombiano. “Para culpar a força armada bolivariana venezuelana. Para que os EUA pudessem intervir militarmente na Venezuelana”, acusou.

15 dias no Brasil

Rodriguez também apontou que o plano seria do deputado da oposição Gilber Caro, cuja prisão a oposição denunciou na sexta-feira passada. É a terceira vez que Caro é preso.

Segundo o governo de Nicolás Maduro, os desertores foram treinados na cidade colombiana de Cali (sudoeste) e de lá viajaram por estrada para o Equador – cujas autoridades Caracas pediu explicações -, para o Peru – onde obtiveram “prontidão logística”, segundo Rodriguez — e finalmente para a cidade brasileira de Pacaraima, na qual teriam ficado hospedados 15 dias e receberam “instruções e planejamento”.

Nesta fase no Brasil, eles teriam tido proteção e patrocínio do traficante de drogas e ouro Toñito Fernández e do também desertor Josué Hidalgo Azuaje, de acordo com as acusações do ministro.

Em um vídeo divulgado pelo governo venezuelano (veja abaixo), um dos supostos desertores, identificado como sargento Darwin Balaguera Rivas, diz que conheceu Toñito Fernández em Pacaraima, e que ele estava financiando a ação.

Rivas diz ainda que estava em Cali, na Colômbia, e que levou 12 dias para retornar à Venezuela, passando por Peru, Equador e Brasil.

Ataque

Um militar teria morrido neste domingo durante uma invasão a um destacamento da Força Armada venezuelana no sul do país. Segundo a agência France Presse, vários jornais locais noticiaram que o episódio aconteceu em Gran Sabana, uma das principais zonas turísticas do país, no estado de Bolívar, que faz fronteira com o Brasil.

Apoiados por um grupo de indígenas, os agressores tomaram um destacamento militar e posto policial, levando mais de 100 fuzis, de acordo com site venezuelano “El Pitazo”.

“Na madrugada de hoje, foi assaltada uma unidade militar no sul do país, por setores extremistas da oposição, sendo subtraído um lote de armas desta unidade”, tuitou o ministro da Defesa da Venezuela, general Vladimir Padrino.

“Deste ataque terrorista resultou falecido um membro da tropa do Exército”, acrescentou o ministro, sem dar detalhes sobre o ocorrido.

Padrino afirmou que, após o assalto, várias unidades militares e policiais da área iniciaram a perseguição dos agressores. Segundo ele, as armas foram recuperadas. O ministro não especificou a quantidade de armamentos que chegou a ser roubada.