Uma vistoria realizada na quarta-feira (23) no Hospital Geral de Palmas, maior unidade de saúde pública do Tocantins, constatou, novamente, várias irregularidades. Segundo o Ministério Público do Tocantins (MPTO), 22 pessoas estavam internadas nos corredores. Durante a ação também foi verificado que faltam medicamentos necessários para tratamento da Covid-19 e materiais para a realização de curativos.

A inspeção ocorreu nas alas da ortopedia, pronto-socorro, psiquiatria e da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O órgão informou que quase todos os pacientes que ficam nos corredores são idosos ou têm doenças graves.

Além de conversar com pacientes e familiares, o promotor de Justiça Thiago Ribeiro também ouviu profissionais de saúde sobre as condições de atendimento. Entre os pacientes está uma idosa que, há cerca de 10 dias, aguarda por uma vaga em leito de internação.

Os pacientes são vistos com frequência nos corredores desde que uma reforma foi iniciada nas salas de internação da unidade. Questionado sobre o prazo para conclusão da reforma de 24 leitos, o diretor-geral, Leonardo Toledo, afirmou ao Ministério Público que a obra será concluída no próximo sábado (26) e que a partir da terça-feira (29) 48 novos leitos estarão disponíveis.

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) disse que lamenta os transtornos e que há faltas pontuais de medicamentos devido a pandemia “que tornou os medicamentos e insumos hospitalares escassos”. Leia a nota na íntegra ao fim da reportagem

Na UTI o promotor de Justiça verificou a falta de dois medicamentos essenciais, como o midazolam, utilizado para sedação, e o heparina, anticoagulante. Os médicos apontaram também a ausência de sinvastatina, que controla o colesterol, e de outros antibióticos. Ainda segundo as enfermeiras, faltam compressas, esparadrapo e ataduras para curativos.

Na terça-feira (22) um paciente, que se recupera no corredor da unidade, disse que nenhum curativo tinha sido realizado após a cirurgia por falta de materiais.

Já na ala psiquiatra os médicos e enfermeiros reclamaram da falta de estrutura. O local possui apenas 10 leitos, mas 25 pacientes, incluindo três internos compulsórios, estão internados. Os profissionais dizem que o ambiente é inadequado e que homens e mulheres dividem o mesmo espaço. Além disso, “não há local disponível para banho de sol e até as camas apresentam defeitos que oferecem riscos aos usuários”.

Conforme os profissionais, 15 pacientes da psiquiatria ficam no pronto-socorro com outras pessoas e colocam em risco a integridade física de quem está no local. Segundo o MP, há quatro dias uma paciente foi encontrada com uma faca.

O que diz a Secretaria Estadual de Saúde

Sobre a vistoria do Ministério Público do Estado (MPE) no Hospital Geral de Palmas (HGP), a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informa que:

A ala de psiquiatria da Unidade, atualmente conta com 10 leitos, totalmente ocupados. A SES possui planejamento para ampliação da ala, com mais 10 leitos, os quais neste momento estão sendo ocupados com pacientes acometidos pela Covid-19. Tal planejamento de ampliação continuará quando cessar a utilização destes leitos com a pandemia.

A SES ressalta que o HGP é uma unidade porta aberta, referência de média e alta complexidade e recebe usuários dos 139 municípios tocantinenses. Há faltas pontuais de medicamentos devido a pandemia, que tornou os medicamentos e insumos hospitalares escassos, mas a Unidade utiliza medicamentos substitutos que são padronizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A SES lamenta os transtornos ocorridos devido as obras de reforma e manutenção de setores e afirma que enquanto não são liberados os espaços, os pacientes estão sendo acomodados em outros ambientes e quando a Construtora libera os espaços os pacientes são prontamente acomodados.

Por  G1 Tocantins.