O vulcão de Fogo, um dos três ativos na Guatemala, iniciou nesta quinta-feira (23) uma forte fase eruptiva, com explosões, expulsão de cinzas e avalanches de material incandescente, anunciaram as autoridades locais.

“A atividade que está sendo registrada neste momento corresponde ao início de uma erupção de caráter estromboliano [mistura de explosões e fluxos de lava], ou principalmente efusivo”, disse o porta-voz do Insivumeh (Instituto de Vulcanologia), Emilio Barillas, à imprensa.

A erupção provocou a descida de material vulcânico incandescente (fluxo piroclástico) de 6 km de extensão por um barranco que chegou à base do vulcão, de 3.763 metros de altitude, acrescentou o porta-voz. Até o momento, não foi necessário fazer retiradas de moradores.

Localizado entre as províncias de Escuintla, Sacatepéquez e Chimaltenango, o vulcão do Fogo é um dos três gigantes ativos do território junto com Pacaya (sul) e Santiaguito (oeste). Fica 35 km ao sudoeste da capital do país, Cidade de Guatemala.

Barillas explicou que a nova fase eruptiva é a mais forte registrada desde 3 de junho de 2018. Nesta data, uma potente erupção causou uma avalanche que arrasou a comunidade San Miguel Los Lotes e parte de uma estrada na localidade vizinha de Alotenango, deixando 215 mortos e um número similar de desaparecidos.

A Conred (Coordenadoria Nacional para a Redução de Desastres), entidade responsável pela Defesa Civil, informou, em suas redes sociais, sobre relato de chuva de cinzas em pelo menos quatro comunidades próximas ao vulcão. Autoridades locais e lideranças comunitárias “estão monitorando” a erupção.

“No momento, nenhum processo de retirada foi implementado, mas as autoridades territoriais mantêm as ações [de vigilância] nas áreas próximas”, afirmou o porta-voz da Conred, David de León.

Em 11 de setembro, o Inacif (Instituto Nacional de Ciências Forenses da Guatemala) entregou às famílias os restos mortais identificados de 14 pessoas soterradas durante a erupção do vulcão do Fogo em 2018.

O Inacif ainda não identificou 137 fragmentos de ossos humanos recuperados nessa tragédia. Segundo as autoridades, o processo é difícil, porque o calor destruiu material genético vital.