Após uma reunião por videoconferência com os secretários de Saúde e de Desenvolvimento Econômico,  o governador Wilson Witzel afirmou que só vai autorizar a reabertura do comércio após a inauguração dos hospitais de campanha que estão sendo construídos para o combate ao coronavírus. Embora não tenha estipulado uma data, ele disse que essas unidades de saúde estão “em fase final de conclusão”. Nesta quarta (23), O GLOBO revelou que o Palácio Guanabara estuda a reabertura de shoppings e do comércio de rua em horários alternados e com limite de pessoas por estabelecimento.

— No Estado do Rio de Janeiro, a curva de mortalidade e de contaminação ainda é alta, apesar de estar sob controle. E é exatamente por estar sob controle que estamos muito preocupados com qualquer reabertura da atividade econômica. Enquanto não inaugurarmos os hospitais de campanha, que estão em fase final de conclusão, nós não poderemos fazer a reabertura — disse Witzel, em vídeo gravado após a reunião com Edmar Santos (Saúde) e Lucas Tristão (Desenvolvimento Econômico).

Segundo nota divulgada pelo Palácio Guanabara, o Plano Estadual de Reabertura Planejada levará em conta a avaliação contínua de número de contagiados, principalmente na cidade do Rio e na Baixada Fluminense. “A tendência é que, a partir do mapeamento de risco de atividades e territórios do estado, a retomada econômica seja gradual e regionalizada. No entanto, é importante que essas medidas sejam tomadas no momento oportuno, sob pena de agravamento da crise”, diz trecho da nota.

Segundo o boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde nesta quinta-feira, o Rio já registra 530 mortes desde o início da pandemia, com 6.172 casos confirmados de Covid-19.

Economia x Precaução

Um dos principais fatores que levam o Palácio Guanabara a já traçar um plano para a reabertura do comércio é a queda na arrecadação de receitas. Como o preço do barril de petróleo despencou, a quantia referente a royalties e ao fundo de participação especial a que o estado tem direito tiveram redução substancial. Outro baque nas contas veio da queda na arrecadação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), uma das principais fontes de receita. Com o comércio fechado, a expectativa é de um prejuízo de R$ 5 bilhões em três meses. A reabertura de shoppings e lojas de rua ajudaria a minimizar o problema na arrecadação de ICMS. A Secretaria de Fazenda projeta que o estado terá um déficit de R$ 25,7 bilhões em 2020.

Além do secretário de Saúde, o governador levou em consideração a análise do epidemiologista da UFRJ Roberto Medronho, que tem sido consultado sobre a questão pelo Palácio Guanabara. Ontem, Medronho afirmou em entrevista ao GLOBO que avalia ainda ser cedo para a reabertura do comércio, mesmo em horários alternados e com a imposição de um limite no número de pessoas por estabelecimento.

— As medidas restritivas salvam vidas e também geram impactos econômicos, principalmente para os menos favorecidos que ainda não receberam o auxílio prometido pelo governo federal. Mas abrir um local com concentração de pessoas pode ter um impacto enorme que será percebido duas semanas depois. E isso poderá nos levar, médicos, a ter que fazer uma escolha de Sofia: quando dois pacientes precisam de um aparelho respirador, mas o hospital só tem um disponível. A reabertura do comércio não é o ideal neste momento, principalmente na Região Metropolitana, onde há grandes conglomerados — disse Medronho.