Afastado após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o governador afastado Wilson Witzel disse, nesta segunda-feira, que não tinha conhecimento dos contratos da secretaria de Sáude, que são investigados por suspeita de direcionamento de licitação e contratação. Em entrevista à “CNN Brasil”, Witzel criticou o Ministério Público Federal, autor da denúcia, e disse que irá provar sua inocência.:

— Nenhum contrato passa pela minha mão. A forma com que o Edmar (Santos) operava era difícil de ser percebida. Ele direcionava as contratações e recebia o dinheiro em espécies e os servidores têm seus sigilos preservados. Desde o início do meu governo, minha ideia era transferir a operação das unidades de saúde das Organizações Sociais para a Fundação Saúde — afirmou.

Entretanto, somente após as denúncias de contratação irregular e o bloqueio judicial de repasses nos últimos meses que o governo do Rio anunciou que desenha um plano de transferência da administração de hospitais e UPAs para a Fundação Saúde, empresa pública do Rio.

Wilson Witzel ainda afirmou que os contratos do escritório da primeira dama Helena Witzel são legais e que sua defesa irá provar não ter sido fruto de lavagem de dinheiro, como afirma a denúncia do MPF.:

— Comigo não foi encontrado dinheiro em espécie ou joias. Tudo o que está sendo questionado foi declarado no Imposto de Renda. Minha esposa está sendo acusada de receber propina, mas isso será demonstrado que se trata de trabalho efetivo, a advocacia dela não é uma advocacia que começa agora, já é antiga.

Witzel não polemizou com Claudio Castro, governador interino, que busca uma reaproximação com Jair Bolsonaro, dizendo apenas que ele está em “seu papel”. Nesta quarta-feira a Corte Especial do STJ irá analisar a decisão do afastamento do governador. Witzel se diz “perplexo com a velocidade do MPF” na condução do caso:

— É muito grave afastar um governador de forma tão rápida sem eu me explicar. Qual vai ser o critério para a Corte decidir? Hoje estamos perplexos, mas acredito que o Supremo irá dar uma decisão para alinhar isso. Estou perplexo de ver a velocidade do MPF e da doutora Lindora (Araújo) para conseguir meu afastamento. Estou vendo uma velocidade acima do normal. As investigações não estão se aprofundando e estão sendo feito de forma açodada e acelerada.

Ao ser questionado de sua relação com o empresário Mario Peixoto, Witzel disse que não tem relação com o investigado:

— Tenho zero relação. O ex-secretário Lucas Tristão foi advogado dele e me pediu ano passado orientações em petições a uma das empresas dele, mas não tenho relação. Não tenho conhecimento que ele tenha influencia na indicação dos secretário. O Léo Rodrigues foi indicado pelo Flávio Bolsonaro, em um acordo que fizemos para os partidos participarem do governo. O Gutemberg Fonseca também foi indicação do partido, que agora está na prefeitura.

Após a entrevista, o senador Flávio Bolsonaro publicou em uma rede social que não indicou os dois nomes, mas apenas disse que a decisão para ambos aceitaram o cargo eram dos própios. Procurado pelo GLOBO, Witzel afirmou que não comentará as declarações do senador.

Disputa eleitoral com Bolsonaro

Questionado sobre o sonho de ser Presidente da Pepública, que foi explicitado no começo do mandato, Witzel disse que é normal, na política, pensar no próximo passo. Citou que governadores que têm êxito na gestão costumam se candidatar a outros cargos, como de senador e até Presidente da República. No entanto, negou que tivesse intenção de disputar com Jair Bolsonaro a eleição de 2022.

— Eu já tinha falado diversas vezes ao presidente Bolsonaro que não disputaria eleição com ele em hipótese alguma. Isso nunca, da minha parte, foi falado — garantiu. — Fiz uma viagem com ele à Argentina, nós conversamos bastante e eu disse que estaria à disposição dele para ser a base do governo — declarou.

Witzel lembrou ainda que foi eleito sob a mesma bandeira de Bolsonaro que o objetivo era formar uma base de apoio ao Governo Federal no Rio. Também rechaçou as acusações feitas pelo presidente de que estaria usando o Ministério Público do Rio de Janeiro para prejudicá-lo.

— Infelizmente, o presidente fez algumas acusações contra mim, dizendo que eu queria prejudicar a família dele. Eu desmenti, disse que jamais faria tal coisa, como jamais farei. Prejudicar quem quer que seja. Eu não manipulo o Ministério Público, eu não manipulo a Polícia Civil.

A entrevista seguiu com uma pergunta sobre a delação de Edmar Santos e repasse de R$ 15 mil ao Pastor Everaldo. Witzel se defendeu, alegando desconhecer os fatos, e passou a atacar o ex-secretário de Saúde, que estaria desesperado para se livrar das acusações

— Infelizmente é uma pessoa que deve ter algum problema mental. Pra fazer o que ele fez, na qualidade de médico, no meio de uma pandemia, deve ter sérios problemas mentais.

Em seguida, o governador afastado foi questionado anotações e um dossiê encontrados no gabinete que ocupava no Palácio Guanabara e disse não saber do que se tratavam.

— Não sei do que se trata. Foi apreendido onde? — perguntou. — Provavelmente, era algum estudo que eu estava fazendo para dar alguma palestra. Não me recordo. Mas desconheço, não estava lá presente — disse Witzel, antes de minimizar os procedimentos de busca e apreensão realizados contra ele e a mulher, Helena.